Lagartixas e dinossauros (Parte 2)

As promessas da cobra encantaram as lagartixas.

Era aquilo mesmo que sempre haviam desejado.
Queriam ser diferentes. Queriam ser mais bonitas.
Queriam ser maiores. Por muito tempo tinham estado
convencidas de que eram, dentre todas, as mais sábias.
Era justo, portanto, que se transformassem em rainhas.
E, sem maiores considerações, comeram
do fruto vermelho que a cobra lhes oferecia.
As transformações foram imediatas.
Viram [...]

Lagartixas e dinossauros (Parte 1)

Muitos, muitos anos atrás, as lagartixas viviam na floresta…
Suas cores eram as mais variadas: brancas,
pretas, vermelhas, amarelas.
Mas numa coisa todas eram iguais:
eram todas pequenas.
O que era muito bom.
Qualquer oco de árvore lhes servia como abrigo.

Qualquer pedaço de folha ou qualquer
mosca lhes bastava como comida.
Não lhes faltava abrigo, não lhes faltava comida.
Ser pequeno tem as suas [...]

Meu uai-cai

Alguns dos meus livros estão espandongados: lombadas descoladas, folhas soltas, outras rasgadas. Estão assim pelas muitas vezes que com eles fiz amor repetido e furioso. Outros livros estão perfeitos. Nunca desejei fazer amor com eles.
De todos os meus livros, os que mais amo e que, por isso mesmo, estão em pior estado, são as obras [...]

Gaia

O Clube de Roma é um grupo de pessoas que, desde 1968, se reúne para debater um vasto conjunto de assuntos relacionados à política, à economia internacional e, sobretudo, ao meio ambiente e ao desenvolvimento sustentável. Tornou-se muito conhecido em 1972 devido à publicação do relatório elaborado por uma equipe do MIT intitulado Os limites [...]

A caverna e o forno ou O efeito estufa

No princípio era tudo escuro. Os deuses não confiavam nos homens e, por isso, os prenderam numa caverna. Era uma caverna muito grande, tão grande que parecia não ter fim. Caverna fechada, sem entradas e sem saídas. Lá dentro era frio. Foi então que um semideus chamado Prometeu, que não gostava muito dos [...]

Fim do mundo?

Quando eu era menino e ouvia conversas sobre o fim do mundo, acreditava e estremecia de pavor. Era fantasia de criança, mas os grandes também acreditavam. Os cristãos, por exemplo, têm um livro sagrado todo ele dedicado a descrever os horrores do fim do mundo, o dia do juízo final, justos para os céus, injustos para o fogo eterno: o livro do Apocalipse. Um guia turístico do México, explicando-me uma pirâmide, disse-me que os maias e os astecas acreditavam que o universo era regido por um calendário segundo o qual o ciclo do tempo se completaria em 49 anos, que é 7 vezes 7. Aí, quando chegava o finzinho do ano 48 e o mundo deveria acabar em um ou dois dias, todos paravam, ninguém trabalhava ou cozinhava, esperando a catástrofe terrível, e até se punham a ajudar os deuses, destruindo tudo o que havia. Entretanto, o fim não acontecia; concluíam, então, que os deuses haviam resolvido começar tudo de novo, punham-se a rir e a dançar sobre as ruínas do mundo que terminara e tratavam de construir um mundo novo que começava do nada.

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Biografia

Rubem Alves

Rubem Alves

Psicopedagogo, professor é bacharel e licenciado em Geografia e mestre em Ciências Humanas pela Universidade de São Paulo, especialista em Inteligência e Cognição.
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