Quando eu era menino e ouvia conversas sobre o fim do mundo, acreditava e estremecia de pavor. Era fantasia de criança, mas os grandes também acreditavam. Os cristãos, por exemplo, têm um livro sagrado todo ele dedicado a descrever os horrores do fim do mundo, o dia do juízo final, justos para os céus, injustos para o fogo eterno: o livro do Apocalipse. Um guia turístico do México, explicando-me uma pirâmide, disse-me que os maias e os astecas acreditavam que o universo era regido por um calendário segundo o qual o ciclo do tempo se completaria em 49 anos, que é 7 vezes 7. Aí, quando chegava o finzinho do ano 48 e o mundo deveria acabar em um ou dois dias, todos paravam, ninguém trabalhava ou cozinhava, esperando a catástrofe terrível, e até se punham a ajudar os deuses, destruindo tudo o que havia. Entretanto, o fim não acontecia; concluíam, então, que os deuses haviam resolvido começar tudo de novo, punham-se a rir e a dançar sobre as ruínas do mundo que terminara e tratavam de construir um mundo novo que começava do nada.