Endometriose: a doença da mulher moderna
Ao longo do tempo, a incidência das doenças muda muito. Antes de existir antibiótico, por exemplo, muita gente acabava morrendo por infecções que hoje são perfeitamente tratáveis. A mudança no saneamento básico, na vacinação, no estilo de vida e no atendimento médico contribui muito para que doenças que em tempos anteriores eram comuns atualmente estejam controladas, e, por outro lado, para que doenças que antigamente apresentavam-se raríssimas hoje estejam se tornando mais prevalentes.
Endometriose é o crescimento do tecido que recobre o interior do útero (endométrio) fora de onde ele deveria estar. Pode ser na cavidade abdominal, entre o útero e intestino ou perto dos ovários, por exemplo. Esse tecido pode responder aos estímulos hormonais típicos do ciclo menstrual, ou seja, ele também cresce durante o ciclo e descama na fase da menstruação. Isso causa bastante cólica e pode aumentar o fluxo menstrual consideravelmente. Dependendo do local e do grau de acometimento, a endometriose pode atrapalhar a fertilidade da mulher que está tentando engravidar.
Não se sabe exatamente por que algumas mulheres desenvolvem essa condição. Sabe-se que há aspectos hereditários envolvidos — a filha de uma mulher que teve endometriose tem mais chances de ser acometida pela doença. Mulheres que tomam pílulas anticoncepcionais ou fazem reposição hormonal estão mais protegidas contra a doença. Por outro lado, aquelas que não engravidaram ou que tiveram o primeiro filho mais tarde apresentam mais riscos. Quanto menos menstruações a mulher tiver ao longo da vida, menores as chances de a endometriose se desenvolver. Por isso que o maior número de gestações e mais tempo amamentando protegiam mais as gerações passadas da doença. Além disso, pode até ser que sua avó e as mulheres da geração dela já tivessem a doença, mas ela não era diagnosticada.
O tratamento da endometriose depende muito do quadro de cada paciente. Em algumas, o uso de hormônios já é suficiente para controlar a situação. Em casos mais graves, pode ser necessário fazer cirurgia para remover o tecido que está fora do lugar.
Os sinais de alerta que merecem investigação são: fortes cólicas menstruais, menstruação com fluxo abundante, dores durante as relações sexuais, alterações nos hábitos intestinais durante a menstruação e dificuldade para engravidar. Se você acha que é seu caso, está na hora de conversar com um ginecologista…


