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Um Outro Mundo é Posível: Economia Solidária

Economia Solidária: futuro do desenvolvimento? O movimento cresce no Brasil e na América Latina de maneira cada vez mais organizada. Além de gerar renda, as redes solidárias querem transformar o atual paradigma do desenvolvimento econômico e das relações interpessoais e com o meio ambiente. Nessa empreitada, o protagonista é o consumidor.

 O QUE É ECONOMIA SOLIDÁRIA? 

Muitos consumidores ainda enxergam na economia solidária apenas um meio encontrado por produtores de baixa renda ou desempregados para sobreviver. Com essa visão, a tendência é acreditar que adquirir produtos provenientes de cooperativas, associações, empresas autogestionárias (elas mesmas se organizam de forma independente) e feiras de troca não passam de um pouco de caridade. O que pouca gente sabe é que a economia solidária vai muito além da geração de renda e traz propostas de mudanças nas relações interpessoais e com o meio ambiente. Cooperação, não competição, preservação dos recursos naturais, não exploração dos trabalhadores, igualdade de poder na tomada de decisões na empresa e responsabilidade com a comunidade local onde o empreendimento está inserido são princípios que norteiam essa prática. A economia solidária surgiu como movimento social na Inglaterra, durante o século 19, como forma de resistência - por parte da população socialmente excluída - ao crescimento desenfreado do capitalismo industrial. No Brasil, o movimento só ganhou força no final do século passado, mas tem crescido consideravelmente nos últimos anos e já faz do país uma referência internacional no assunto. Segundo Ana Lúcia Cortegoso, membro da coordenação colegiada da INCOOP - Incubadora Regional de Cooperativas Populares da Universidade Federal de São Carlos, as formas de organização solidária possuem um papel importante para a população que tem dificuldade de acesso às condições impostas pelo mercado . Sempre que o movimento de economia solidária se reúne, fica claro que a intenção é realizar uma transformação social, questionando a forma como a economia está organizada e propondo outra maneira de promover o desenvolvimento, com menos concentração de renda e melhor distribuição da riqueza , esclarece Daniel Tygel, secretário executivo do FBES - Fórum Brasileiro de Economia Solidária. Ele diz que, muitas vezes, a motivação para se criar essas organizações solidárias realmente surge como uma estratégia de sobrevivência por parte dos trabalhadores. Mas, depois que se articulam, a iniciativa acaba ganhando uma dimensão organizativa mais ampla e um aspecto de movimento social. Se esses conceitos soam como um retrocesso na maneira de a sociedade se organizar, voltando aos tempos primitivos do coletivismo ou novamente apregoando o que as bandeiras socialistas defendiam, Daniel Tygel entende a valorização desses ideais como um salto para o futuro. O fato de alguns elementos da história passada terem sido esmagados, não significa q devemos ignorá-los, mas existe uma situação conjuntural completamente diferente de épocas anteriores: vivemos a dimensão mais aguda da globalização, com concentração de informações em grandes empresas nunca antes vista. Além da autogestão, eixo fundamental das organizações solidárias, também existe uma preocupação com o futuro do planeta e a finitude dos recursos . Portanto, se o consumidor usa seu poder de compra para priorizar bens e serviços gerados a partir da economia solidária, está contribuindo diretamente para que os modelos econômicos, políticos e sociais sejam repensados e reconstruídos. Entenda abaixo quais as particularidades desses empreendimentos, a maneira como se organizam e de que forma você já está envolvido nesse processo.

 

Atenção: Realize estas questões para uma discussão em sala de aula.

Questões para serem  respondidas no caderno de Ensino Religioso.

 

  1. O que é de fato Economia Solidária?
  2. Por que o consumidor é a peça chave desse tipo de economia?
  3. Qual a motivação para iniciar empreendimentos como estes que se baseiam em Economia Solidária?
  4. “Cooperação, não competição, preservação dos recursos naturais, não exploração dos trabalhadores, igualdade de poder na tomada de decisões na empresa e responsabilidade com a comunidade local onde o empreendimento está inserido são princípios que norteiam essa prática”. Explique.
  5. As populações que muitas vezes são excluídas do processo econômico percebem na economia solidária uma oportunidade. Por quê ?
  6. Quais aspectos que vão alem dos financeiros e que são importantes em uma economia solidária?
  7. Faça em forma de desenho um símbolo que represente o tema que estudamos: Economia Solidária.

 

 

 

Atualidades

Brasil e o IDH

Brasil permanece estável em índice de desenvolvimento humano

O Brasil permaneceu estável no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), divulgado nesta segunda-feira. O país ocupa a 75ª posição no índice. Entre 2006 e 2007, o índice brasileiro subiu levemente de 0,808 para 0,813, valor considerado de alto desenvolvimento humano. O índice, que varia entre 0 e 1, avalia as conquistas de um país com base na expectativa de vida, acesso à educação e padrão de vida, medido pelo PIB (Produto Interno Bruto) per capita. Nesta edição, o IDH avaliou 182 países, com a inclusão de Andorra e Liechtenstein pela primeira vez, e a volta do Afeganistão, que havia saído do índice em 1996. A Noruega continuou no topo da lista, seguida pela Austrália e Islândia. Serra Leoa, Afeganistão e Níger são os três últimos e apresentam os piores índices de desenvolvimento humano. A China foi o país que registrou o maior aumento, subindo sete posições, seguida pela Colômbia e pelo Peru, que melhoraram cinco posições no ranking.

Migração

O relatório, que analisa dados de 2007, não reflete ainda os efeitos da crise econômica global, que deverá ter impactos dramáticos no desenvolvimento humano, segundo o Pnud. No relatório deste ano, intitulado Superando Barreiras: Mobilidade Humana e Desenvolvimento, o órgão defende a migração com uma ferramenta altamente eficaz para melhorar a renda, educação e futuro das pessoas em um mundo extremamente desigual. Segundo o documento, a maior parte da movimentação ocorre não de um país para outro, mas internamente. “Usando definições conservadoras, nós estimamos que cerca de 740 milhões de pessoas sejam migrantes internos, quase quatro vezes o número das que se movimentam internacionalmente”, diz o relatório. Entre as 200 milhões de pessoas que se mudam para outros países, a maioria troca um país em desenvolvimento por outro, ou transita entre nações desenvolvidas. Apenas cerca de um terço se muda de uma nação em desenvolvimento para um país rico.

Barreiras

O Pnud ressalta ainda as barreiras que existem para a movimentação de migrantes - principalmente os com baixas qualificações profissionais. Essas barreiras seriam responsáveis por manter estável em 3% nos últimos 50 anos a proporção de migrantes no mundo, apesar de fatores que poderiam ter aumentado esse número. Tendências demográficas, como o envelhecimento da população em países desenvolvidos e um crescimento do número de jovens nas nações emergentes, além de novas oportunidades de emprego e barateamento das comunicações e transportes deveriam aumentar a migração, segundo o relatório. Entretanto, as pessoas que desejam emigrar enfrentam cada vez mais barreiras impostas por governos. Segundo o Pnud, 50 milhões de pessoas estão vivendo e trabalhando ilegalmente em outro país. O documento propõe uma série de reformas para maximizar os impactos da migração no desenvolvimento humano, entre elas liberalizar os canais que permitem que pessoas com poucas habilidades trabalhem fora, garantir os direitos básicos dos migrantes e reduzir os custos associados à migração. Fonte: BBC Brasil 5/10/2009 Acesso em 05 de Outubro 2009

 

8ª Série FATOS RECENTES DA ARGENTINA

Tema: Fatos Recentes na Argentina

RECUPERAÇÃO DA ARGENTINA

 Em setembro de 2003, Kirchner volta a suspender os pagamen­tos aos organismos de crédito, diante do impasse nas negociações da dívida de 90 bilhões de dólares. A moratória dura ape­nas dois dias. O FMI concorda em assinar novo acordo, aprovando empréstimo de 12,5 bilhões de dólares. Em troca, o país se compromete a gerar um superávit fiscal equivalente a 3% do Produto Interno Bruto (PIB), índice considerado baixo, para acordos semelhantes.

Depois de chegar ao fundo do poço, em 2002, quando o PIB apresenta redução de 10,9%, a economia argentina mostra expressiva recuperação. O desemprego diminui, embora permaneça elevado, em torno de 12% da força de trabalho. A insatisfação manifesta-se por meio dos “piqueteiros” - grupos de desempregados que fazem piquete nas estradas e avenidas para exigir dinheiro e comida

REESTRUTURAÇÃO DA Dívida

 Em junho de 2005, a Argentina anuncia o fim da reestruturação da dívida do país.

Para garantir que receberão ao menos parte do que lhes é devido, a maioria dos credores aceita trocar os títulos antigos da dívida por novos papéis com valores até 75% inferiores. Com a renegociação, o débito argentino diminui de mais de 100 bilhões de dólares para cerca de 35 bilhões de dólares. Em janeiro de 2006, a Argentina paga integralmente sua dívida com o  FMI. A retomada da economia leva à redução da pobreza, de 39% em 2003 para 27% em 2006. Mesmo assim, os conflitos sociais persistem.

CRISTlNA KlRCHNER

Nas eleições presi­denciais de 2007, Cristina Fernández de Kirchner, mulher do presidente, é vitoriosa no primeiro turno, obtendo 45,3% dos votos, contra 23% de EIsa Carrió, que concorre com uma plataforma de centro-esquerda. Cristina torna-se a primeira mulher a ser eleita para o cargo na Argentina.

CONFRONTO COM RURALISTAS

Os primeiros meses da nova presidente são marcados por forte conflito com os produtores rurais. Em março de 2008, Cristina Kirchner emite uma resolução que aumenta os im­postos sobre a exportação de grãos, como a soja Os agricultores reagem e iniciam um movimento de contestação, que une praticamente todos os setores rurais e atrai a classe média urbana. Entre marco e junho, os ruralistas organizam quatro lo­cautes (paralisações patronais) e inúmeros bloqueios nas estradas. As ações causam desabastecimento nas cidades e criam uma situação de crise no país, com choques entre opositores e apoiadores do governo.

Em junho, Cristina concorda em submeter a resolução a uma votação no Congresso. No inicio de julho, a proposta é aprovada pelos deputados por apenas sete votos de diferença. Dois grandes atos - a favor e contra o governo - marcam a votação do tema no Senado, em sessão que se começa em 16 de julho e só termina na madrugada seguinte. Numa decisão surpreendente, a resolução é derrotada. A votação inicial­mente termina empatada, com 36 votos a favor e 36 contra. Cabe ao vice-presidente da República e presidente do Senado, Julio Cobos, dar o voto contrário decisivo. Cobos, político dissidente da UCR, é saudado como herói pela oposição e como traidor pelos peronistas. No dia seguinte, a presidente revoga a elevação de impostos. O longo embate, além de causar uma divisão no país, é responsável pela queda vertiginosa da popularidade de Cristina Kirchner.

ESTATIZAÇÃO

Em outubro, a presidente anuncia polêmico projeto de lei que estatiza sistema de aposentadorias do país, eliminan­do os fundos de pensão privados. A medida é combatida pela oposição e pelo mercado financeiro, mas recebe o apoio das centrais sindicais. No inicio de novembro, o projeto  é aprovado pela Câmara dos Deputados, e  segue para o Senado.

A Geografia uma oportunidade de entender o mundo…

Geografia: a mais importante de todas as matérias da escola? Só se o mundo for uma bola!

 

Aí está uma idéia que pode parecer estranha diante do que a maioria de nós está acostumada a pensar: a Geografia é, poderia ser ou, melhor, deveria ser a mais importante de todas as disciplinas escolares.

Essa é uma noção atípica pois, infelizmente, o ensino da Geografia na escola ainda é associado a duas idéias principais:

- Ela é uma disciplina que leva ao extremo o recurso à “decoreba”. Nós fomos educados assim e, apesar de todas as mudanças, ainda podemos dizer que, para tirar boas notas em Geografia, em pleno século XXI, o mais importante continua sendo ter uma boa memória.

- A Geografia é uma matéria que quase nunca reprova e é mais fácil e menos decisiva do que Matemática ou Língua Portuguesa. A aula de Geografia é um bom momento para fazer um pouco mais de bagunça, até mesmo porque, em geral, professores de Geografia são “mais bonzinhos”…

Neste artigo, gostaria de tentar mudar um pouco a visão de quem pensa assim e dividir algumas idéias que fazem com que nós, geógrafos, tenhamos grande orgulho e prazer com nossa profissão (embora ninguém, ao que parece, esteja ficando muito rico).

Enfim, a visão da “decoreba” e da matéria menos séria é triste, porque a Geografia não é nada disso: ela é uma ciência que integra contribuições de todas os campos do saber e que deve ter uma função central na necessária renovação do ensino.

Por que isso acontece? Em primeiro lugar, porque é a Geografia que garante um espaço específico para o tratamento das questões sociais e ecológicas dentro das escolas, permitindo que os problemas do mundo sejam discutidos nas salas de aula.

Quando os meios de comunicação mostram incessantemente imagens de terroristas agindo nos mais recônditos cantos do planeta, é possível que a escola ignore isso? E quando o clima do planeta dá sinais de alterações perturbadoras, talvez por influência da atividade industrial humana, é aceitável deixar de discutir isso? É claro que não, a não ser que a escola desista de ter entre os seus objetivos o de ajudar a entender o mundo.

É por isso que um amigo geógrafo sempre diz que “um bom professor de Geografia vai para a sala de aula com um jornal e um globo terrestre”. Claro, pois tudo o que está acontecendo de importante no mundo pode servir como ponto de partida para o trabalho do professor de Geografia.

E no que deve consistir esse trabalho? Basicamente em mobilizar a curiosidade e as idéias que os alunos já têm sobre os temas debatidos e, com base nisso, conduzir atividades em que vamos localizar, mapear, comparar e analisar criticamente os fenômenos discutidos. É exatamente por isso que há muitas décadas já se afirma que, na escola, a Geografia é fundamental para levar alunos e alunas além da visão superficial e sensacionalista das manchetes dos jornais e da TV.

Então, a Geografia é importante porque, mesmo na escola mais tradicional, abre espaço para que os problemas reais do mundo sejam discutidos e aprofundados. Esse processo revela um outro aspecto importante dessa disciplina: ela pode englobar abordagens de várias outras matérias. Um bom trabalho provoca a necessidade de pesquisar e discutir questões históricas e científicas, produzir textos de síntese, levantar dados numéricos e usar a matemática em um sem-fim de tipos de análises. Ou seja, em um trabalho sério de Geografia, todas as disciplinas devem dar sua contribuição; todas as matérias podem “estar contidas” nela. A Geografia, veja só que chique, é multi e interdisciplinar!

Aliás, não são apenas os geógrafos que afirmam isso. Um dos grandes pensadores da complexidade, da renovação da ciência e de seus paradigmas é o francês Edgar Morin, que reconhece que “o desenvolvimento das ciências da Terra e da Ecologia revitalizam a Geografia, ciência complexa por princípio, uma vez que abrange a física terrestre, a biosfera e as implantações humanas” [i] . Ou seja, uma Geografia que não seja multidisciplinar não merece esse nome.

Com todo esse potencial, dói ver que a Geografia escolar é muitas vezes associada a coisas como decorar o nome de rios e de capitais…

Talvez eu já tenha conseguido provocar alguma perturbação em sua concepção da Geografia e do papel dela na escola. Para concluir, afirmo (juntamente com muitos geógrafos) que a Geografia deve ser, cada vez mais, explorada como a mais importante das disciplinas, para atingirmos dois objetivos em nossas escolas. Esses objetivos podem parecer contraditórios, mas, na verdade, são profundamente complementares:

- Pelo conhecimento do espaço local e pela comparação dele com outros lugares, ajudar cada um(a) a compreender melhor sua inserção territorial e cultural, o que contribui para a construção de uma identidade pessoal e comunitária mais rica. Conhecer cada vez mais e melhor seu lugar, sua cultura e as pessoas que vivem nos mesmos espaços que nós.

- Pelo tratamento global dos problemas, pela busca de características comuns, pela análise da distribuição e da evolução espacial dos fenômenos e pelo uso constante do globo e de mapas, levar os (as) estudantes a conhecerem cada vez melhor o planeta em que vivemos. É a Geografia que possui a mais nobre das missões na escola do século XXI: preparar nossas crianças e adolescentes para a superação dos patriotismos e regionalismos estreitos, e formar para o respeito às diferenças e para o que nós chamamos de “cidadania planetária”.

O francês Paul Claval, um grande geógrafo, encerra um de seus livros afirmando que “concebida dessa maneira, a Geografia prepara os homens para serem cidadãos do mundo. É nisso que acredito sinceramente”. Eu também!

Afinal de contas, o mundo é mesmo quase uma bola, estamos todos no mesmo barco redondo com sua atmosfera fantástica, o que acontece aqui sempre tem implicações acolá, e não podemos mais nos dar ao luxo de educar nossas crianças como se isso não fosse uma verdade fundamental. Precisamos da Geografia para nos conhecer, para conhecermos nosso mundo respeitando sua diversidade e complexidade e para construirmos a cidadania planetária. Decore isso…

 

Luca Rischbieter*

*Luca Rischbieter mora em Curitiba, é geógrafo (Universidade Federal do Paraná) e pedagogo (Universidade Paris V). De 1990 a 1995, trabalhou junto ao Projeto Araucária, de