8ª Série FATOS RECENTES DA ARGENTINA

Tema: Fatos Recentes na Argentina

RECUPERAÇÃO DA ARGENTINA

 Em setembro de 2003, Kirchner volta a suspender os pagamen­tos aos organismos de crédito, diante do impasse nas negociações da dívida de 90 bilhões de dólares. A moratória dura ape­nas dois dias. O FMI concorda em assinar novo acordo, aprovando empréstimo de 12,5 bilhões de dólares. Em troca, o país se compromete a gerar um superávit fiscal equivalente a 3% do Produto Interno Bruto (PIB), índice considerado baixo, para acordos semelhantes.

Depois de chegar ao fundo do poço, em 2002, quando o PIB apresenta redução de 10,9%, a economia argentina mostra expressiva recuperação. O desemprego diminui, embora permaneça elevado, em torno de 12% da força de trabalho. A insatisfação manifesta-se por meio dos “piqueteiros” - grupos de desempregados que fazem piquete nas estradas e avenidas para exigir dinheiro e comida

REESTRUTURAÇÃO DA Dívida

 Em junho de 2005, a Argentina anuncia o fim da reestruturação da dívida do país.

Para garantir que receberão ao menos parte do que lhes é devido, a maioria dos credores aceita trocar os títulos antigos da dívida por novos papéis com valores até 75% inferiores. Com a renegociação, o débito argentino diminui de mais de 100 bilhões de dólares para cerca de 35 bilhões de dólares. Em janeiro de 2006, a Argentina paga integralmente sua dívida com o  FMI. A retomada da economia leva à redução da pobreza, de 39% em 2003 para 27% em 2006. Mesmo assim, os conflitos sociais persistem.

CRISTlNA KlRCHNER

Nas eleições presi­denciais de 2007, Cristina Fernández de Kirchner, mulher do presidente, é vitoriosa no primeiro turno, obtendo 45,3% dos votos, contra 23% de EIsa Carrió, que concorre com uma plataforma de centro-esquerda. Cristina torna-se a primeira mulher a ser eleita para o cargo na Argentina.

CONFRONTO COM RURALISTAS

Os primeiros meses da nova presidente são marcados por forte conflito com os produtores rurais. Em março de 2008, Cristina Kirchner emite uma resolução que aumenta os im­postos sobre a exportação de grãos, como a soja Os agricultores reagem e iniciam um movimento de contestação, que une praticamente todos os setores rurais e atrai a classe média urbana. Entre marco e junho, os ruralistas organizam quatro lo­cautes (paralisações patronais) e inúmeros bloqueios nas estradas. As ações causam desabastecimento nas cidades e criam uma situação de crise no país, com choques entre opositores e apoiadores do governo.

Em junho, Cristina concorda em submeter a resolução a uma votação no Congresso. No inicio de julho, a proposta é aprovada pelos deputados por apenas sete votos de diferença. Dois grandes atos - a favor e contra o governo - marcam a votação do tema no Senado, em sessão que se começa em 16 de julho e só termina na madrugada seguinte. Numa decisão surpreendente, a resolução é derrotada. A votação inicial­mente termina empatada, com 36 votos a favor e 36 contra. Cabe ao vice-presidente da República e presidente do Senado, Julio Cobos, dar o voto contrário decisivo. Cobos, político dissidente da UCR, é saudado como herói pela oposição e como traidor pelos peronistas. No dia seguinte, a presidente revoga a elevação de impostos. O longo embate, além de causar uma divisão no país, é responsável pela queda vertiginosa da popularidade de Cristina Kirchner.

ESTATIZAÇÃO

Em outubro, a presidente anuncia polêmico projeto de lei que estatiza sistema de aposentadorias do país, eliminan­do os fundos de pensão privados. A medida é combatida pela oposição e pelo mercado financeiro, mas recebe o apoio das centrais sindicais. No inicio de novembro, o projeto  é aprovado pela Câmara dos Deputados, e  segue para o Senado.