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Os dois lados da mesma moeda — portuguez / português

Da graphia etymologica à atual: você não vai precisar reler o texto para entender a miscelânea orthographica que vai encontrar. Experimente!

 

 Desde o seculo XVI, a escripta do portuguez seguia a orthographia etymologica, prevalecendo assim até o seculo XX. Antes dessa epocca, quasi não se falava em accordo orthographico. De repente decidiram facilitar a communicação e unificar a língua dos paizes lusophonos.

A graphia etymologica era differente: quasi não se usava accento, usava-se lettras dobradas como LL, TT e CC, H mudo após o P e T e S no início de palavra. O trema não era usado e o hyphen quasi não era encontrado. Graphava-se, por exemplo, accordo, aquelle collocação, apprender, philosophia, phosphoro, hespanhol, humido, deshumano, sciencia, linguiça, heroe, idéa, antihygienico e antiinflammatorio. Além dessas palavras, graphava-se também bocca, caracter, excepto, entre outras com C e P.

 As discussões dos phoneticistas seguiram infructiferas até 1943. A partir dessa data, êles sugeriram mudanças significativas para a ortographia. Supprimiram o H e o S de humidade, deshumano, sciencia, scientista e algumas palavras receberam acento. Entre estas está ciência, filosòficamente (isso mesmo, acento grave), filosófico, apêlo e tantas mais. Só a partir do acordo de 1971 passou-se a escrever filosoficamente e apelo como escrevemos hoje.

 Para conhecer mais da antiga graphia, sugiro alguns passeios. Você pode visitar algum museu que tenha livros de deccadas e até seculos passados. É uma opção. Que tal um lugar mais macabro: um cemitério. Isso mesmo! Nos cemitérios mais antigos encontram-se lápides com escriptas antigas. Os textos dessas lápides eram escriptos na maioria das vezes pelas próprias famílias e, por isso, não seguiam aquele rigor ortographico encontrado nos livros. Um cemitério é, por isso, um museu a céu aberto. Além dos textos ali encontrados remeterem às diferentes culturas, são aulas de história da graphia de diferentes línguas, o que inclui principalmente, é claro, o português. Não se espante se você encontrar palavras como êle, ella, Paes, orae, etc. Escrever assim já foi correto.

 A miscelânea de graphias neste texto é questionável, mas seguem fonte bibliográfica: a revista de Língua Portuguesa. A tentativa de escrever usando a graphia etymologica é uma experiência e tanto. Pode ser usada como exemplo na hora de comparar com a graphia atual. Sabe-se que uma adaptação às novas regras é necessário, mas, porque não são justificadas coerentemente, podem levar anos até serem completamente absorvidas pelos falantes da língua.

Quer ler mais sobre o assunto? Acesse a linha do tempo   sobre o histórico de evolução da graphia e dos accordos da língua portugueza. Leia também O abedecê das lápides.