Homenagem a Saramago (1922-2010)
Morreu, nesta sexta feira, em Lanzarote, o maior e mais polêmico escritor português de todos os tempos: José Saramago. Saramago foi nada mais nada menos o escritor que mudou a literatura portuguesa e a pôs em cena no campo internacional. Vítima de câncer, há alguns anos o autor estava com a saúde debilitada. Nos últimos tempos, foi hospitalizado várias vezes, principalmente devido a problemas respiratórios.
Saramago nasceu em 1922, em Azinhaga (uma aldeia de Portugal) numa família humilde. Antes de se dedicar à literatura, trabalhou como desenhista industrial, mecânico, serralheiro e gerente de produção de uma editora.
Com um estilo próprio, conquistou em 1983 o Prêmio Camões, a mais importante distinção dada a um escritor em língua portuguesa, e em 1998 venceu o primeiro Prêmio Nobel de Literatura. Deixou como legado uma obra literária vasta e fantástica traduzida em mais de 30 países.
Saramago era um autor prolífico. Em 60 anos, além de romances, publicou diários, contos, peças, crônicas e poemas. Seus romances convidam e incitam o leitor a rebelar-se. Suas principais obras são Levantado do chão (1980), Memorial do convento (1982), O ano da morte de Ricardo Reis (1984), História do cerco de Lisboa (1989), O Evangelho segundo Jesus Cristo (1991), Ensaio sobre a cegueira (1995), As intermitências da morte (2005).
Em 1947, publicou seu primeiro romance, Terra do pecado e só depois de 19 anos lançou Os poemas possíveis.
Seu último romance publicado foi Caim, no final de 2009. O livro lança um olhar irônico sobre o velho testamento, extremamente criticado pela Igreja.
Atualmente Saramago escrevia um livro sobre a indústria do armamento. Em uma entrevista, afirmou: “Todo mundo tem armas, vivemos numa sociedade de violência, que é aceita e a televisão está nos dizendo todos os dias que a vida humana não tem nenhuma importância”.
Além das obras, o escritor deixa uma fundação com seu nome cujo objetivo é promover o estudo da obra literária.
Sem sombra de dúvida, Saramago foi e sempre será figura de referência em nossa cultura. Como disse o escritor Mário Cláudio: “Saramago vai durar o que durar a literatura portuguesa”.
Deixe aqui sua homenagem a esse importante autor.
Por Fernanda Covino