Artigos marcados com ‘Literatura’

Preparem suas prateleiras!

Esta semana, a 21.ª Bienal Internacional do Livro transforma São Paulo na Capital das Letras.

Muita cultura, leitura e diversão aguardam os visitantes neste que é um dos maiores encontros literários do mundo. Serão mais de 700 atividades distribuídas por pelo menos 400 horas, de 12 a 22 de agosto, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, Zona Norte da capital paulista.

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Fonte: http://www.bienaldolivrosp.com.br

Nesta edição, além da larga oferta de livros - 350 expositores do Brasil e de fora, representando mais de 900 selos editoriais -, o evento terá novos formatos, com grande interatividade e a presença de conceituados escritores brasileiros e internacionais, que formarão a grade mais pluralista dos 40 anos da Bienal. O objetivo é  estimular o gosto pela leitura em milhares de pessoas, entre crianças, jovens e adultos.

 A programação enfocará quatro temas principais: Monteiro Lobato; Clarice Lispector; Lusofonia; e Livro Digital.

Monteiro Lobato - Cidadão Escritor

Na sua maior parte, a obra de Monteiro Lobato é o resultado da reunião de textos escritos para jornais ou revistas. Comprometido com as grandes causas de seu tempo, o criador do Jeca Tatu engajou-se em campanhas por saúde, defesa do meio ambiente, reforma agrária e petróleo, entre outros temas que continuam atuais. Ele arrebatava o público com artigos instigantes, que, hoje, vistos de longe, constituem um precioso retrato de época, um painel socioeconômico, político e cultural do período. Dono de estilo conciso e vigoroso, com forte dose de ironia, utilizava uma linguagem clara e objetiva, compreensível ao grande público. Lobato revelou o mundo rural, então ignorado pelos escritores de gabinete que ele tanto criticava. “A nossa literatura é fabricada nas cidades”, dizia, “por sujeitos que não penetram nos campos de medo dos carrapatos”.
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Clarice Lispector

“Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada… Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro…” (Disponível em: clique aqui.)

Escritora brasileira, de origem ucraniana, Clarice Lispector publicou romances, contos, crônicas e livros infantojuvenis. Destacou-se pelo intimismo de sua narrativa voltada para as tensões existenciais: dedica-se aos conflitos do ser humano, aprofundando-se na tensão entre a plenitude e o vazio existenciais, entre a paixão e a racionalidade. Seu estilo é dramático, marcado por uma ironia inteligente, por frases contidas e por experiências de formas de narração inovadoras.
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Livro digital

Um livro digital ou livro eletrônico é um livro em formato digital que pode ser lido em equipamentos eletrônicos tais como computadores, PDAs ou até mesmo celulares que suportem esse recurso. Os formatos mais comuns de e-books são o PDF e HTML. O primeiro necessita do conhecido leitor de arquivos Acrobat Reader ou outro programa compatível; o segundo requer um navegador de Internet para ser aberto. Por ser um dispositivo de armazenamento de baixo custo e de fácil acesso, em virtude da propagação da Internet nas escolas, pode ser vendido ou até mesmo disponibilizado para download em alguns portais gratuitos na web.
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Lusofonia

Aprender uma língua não é apenas utilizar o dicionário e substituir uma palavra de um idioma por outra no outro. É, acima de tudo, descobrir uma cultura e um modo de pensar e de viver diferentes. À semelhança do que aconteceu com a França e a Espanha, Portugal também foi uma província romana, denominada Lusitânia. O que explica o porquê de hoje os falantes de língua portuguesa serem denominados lusófonos. Portugal começou a sua conquista pelo mundo antes da Espanha e até mesmo da França. No século XV, os portugueses já controlavam um vasto império no Oceano Índico, na Costa Africana e na América. Mais tarde, com a expansão marítima, Portugal firmou colônias no Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. O português é a terceira língua europeia mais falada no mundo, depois do inglês e do espanhol. E é o idioma oficial de vários países espalhados pelos cinco continentes.
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Quincas Berro d’Água lota as salas de cinema

A comédia dramática Quincas Berro d’Água comprovou mais uma vez que as obras de Jorge Amado fascinam o público brasileiro.  Enquanto esteve em cartaz, esse divertidíssimo longa-metragem lotou as salas de cinema de todo o país e arrancou largas risadas da plateia. Dona Flor e Seus Dois Maridos, Gabriela Cravo e Canela e Tieta do Agreste são outras adaptações que alcançaram sucesso estrondoso. A primeira ainda permanece como maior recordista de público em toda a história do cinema nacional, com nada menos do que 12 milhões de espectadores.

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Daniel Wildberger

Jorge Amado é sem dúvida o escritor que melhor retrata a diversidade brasileira. Ele não se restringe a falar das elites, suas futilidades e vitórias. O mundo desagradável da pobreza, onde se escondem as prostitutas, os bêbados e os vagabundos, é um dos principais assuntos de seus livros, mas tudo é tratado com a perspicácia de alguém que sabe fazer humor. Na verdade, em seus romances, Jorge Amado pretendeu fazer o leitor perceber que a literatura não deve apenas entreter, mas também politizar e conscientizar.

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Jorge Amado. Fonte: Enciclopedia Delta

A Morte e a Morte de Quincas Berro d’Água é uma das melhores narrativas escritas por Jorge Amado. Publicada em 1958, conquistou desde logo a admiração de quantos dela se aproximaram. Nitidamente imbricada no Realismo Mágico, mistura sonho e realidade; loucura e racionalidade; amor e desamor; ternura e rancor, de forma envolvente e instigante. Vale à pena mergulhar neste fantástico universo baiano e ler cada palavra até o fim. E depois da leitura, para os interessados em conhecer mais a fundo a vida dos personagens e sentir toda atmosfera das ladeiras de Salvador retratadas no livro, o filme é uma excelente pedida.

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Morre aos 87 anos autor português José Saramago

Homenagem a Saramago (1922-2010)                     

Morreu, nesta sexta feira, em Lanzarote, o maior e mais polêmico escritor português de todos os tempos: José Saramago. Saramago foi nada mais nada menos o escritor que mudou a literatura portuguesa e a pôs em cena no campo internacional. Vítima de câncer, há alguns anos o autor estava com a saúde debilitada. Nos últimos tempos, foi hospitalizado várias vezes, principalmente devido a problemas respiratórios.

Saramago nasceu em 1922, em Azinhaga (uma aldeia de Portugal) numa família humilde. Antes de se dedicar à literatura, trabalhou como desenhista industrial, mecânico, serralheiro e gerente de produção de uma editora.
Com um estilo próprio, conquistou em 1983 o Prêmio Camões, a mais importante distinção dada a um escritor em língua portuguesa, e em 1998 venceu o primeiro Prêmio Nobel de Literatura. Deixou como legado uma obra literária vasta e fantástica traduzida em mais de 30 países.

Saramago era um autor prolífico. Em 60 anos, além de romances, publicou diários, contos, peças, crônicas e poemas. Seus romances convidam e incitam o leitor a rebelar-se. Suas principais obras são Levantado do chão (1980), Memorial do convento (1982), O ano da morte de Ricardo Reis (1984), História do cerco de Lisboa (1989), O Evangelho segundo Jesus Cristo (1991), Ensaio sobre a cegueira (1995), As intermitências da morte (2005).
Em 1947, publicou seu primeiro romance, Terra do pecado e só depois de 19 anos lançou  Os poemas possíveis.

Seu último romance publicado foi Caim, no final de 2009. O livro lança um olhar irônico sobre o velho testamento, extremamente criticado pela Igreja.
Atualmente Saramago escrevia um livro sobre a indústria do armamento. Em uma entrevista, afirmou: “Todo mundo tem armas, vivemos numa sociedade de violência, que é aceita e a televisão está nos dizendo todos os dias que a vida humana não tem nenhuma importância”.

Além das obras, o escritor deixa uma fundação com seu nome cujo objetivo é promover o estudo da obra literária.
Sem sombra de dúvida, Saramago foi e sempre será figura de referência em nossa cultura. Como disse o escritor Mário Cláudio: “Saramago vai durar o que durar a literatura portuguesa”. 

Deixe aqui sua homenagem a esse importante autor.

Por Fernanda Covino

Você já ouviu falar sobre a Flip?

Desde 2003, a cidade de Paraty recebe anualmente o mais importante evento literário da América do Sul: a Festa Literária Internacional de Parati - Flip. Esse extraordinário evento cultural inseriu o Brasil no circuito dos festivais internacionais de literatura, comparado a importantes festivais literários do mundo como o Hay-on-Wye (País de Gales), Adelaide (Austrália), Harbourfront (Canadá), Berlim (Alemanha), Edimburgo (Escócia) e Mantua (Itália).

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Flip 2009. Tenda dos autores. Galeria de Monica Campi. Licenciada pelo Creative Comons. Atribuição 2.0  Genérico.

Hoje, a Festa é um sucesso não só pela qualidade de autores convidados, mais também pelo entusiasmo do público e pela hospitalidade da cidade. O próprio nome Parati, assim mesmo com i, foi sugerido para realçar que a Festa é Para ti/Para Você - tornando ainda mais convidativo o evento. São 5 dias de festa com cerca de 200 eventos, que incluem debates sobre a arte literária, shows musicais, exibições de filmes, peças teatrais e até mostra de quadrinhos. Sem dúvida, uma verdadeira experiência cultural, que além de proporcionar ao visitante, momentos de apreciação artística em um dos cenários de beleza histórica e natural, mais belos do Brasil; oferece também a oportunidade de usufruir experiências únicas, como a de, degustar as famosas bebidas da região, junto a personalidades como Caetano Veloso, Jô Soares, Antônio Cícero ou Arnaldo Jabor. Isso sem falar na chance de “bater um papo” com ninguém menos que Chico Buarque.

Escritores como Luís Fernando Veríssimo e Millôr Fernandes presentearam o primeiro público da Flip com um bate-papo bem humorado, repleto de curiosidades sobre seus textos e livros.  Ferreira Gullar, considerado o maior poeta vivo do Brasil, também esteve presente, e foi grande destaque lendo trechos de seu livro Relâmpagos.

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Livraria da Flip 2009. Galeria de Monica Campi. Licenciada pelo Creative Comons. Atribuição 2.0  Genérico.

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Joaquim Nabuco -

Protagonista da abolição

Neste ano de 2010, a Academia Brasileira de Letras homenageia o grande diplomata brasileiro Joaquim Nabuco, comemorando o seu centenário de morte.

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“Não basta acabar com a escridão. É preciso destruir sua obra.”

Joquim Nabuco

Fundador da cadeira n.º 27 da ABL, Joaquim Aurélio Nabuco Barreto de Araújo nasceu em Recife no ano de 1849.  Líder abolicionista, conviveu desde cedo com a dura realidade dos escravos. Na infância, o menino de família aristocrata se alfabetizara junto com os filhos dos escravos numa escolinha construída pela madrinha. Cursou Direito em São Paulo e em Recife, escreveu poemas e foi colega de Castro Alves e de Rui Barbosa. Esteve em Londres e, após voltar ao Brasil, seguiu carreira política.

Excelente orador, tornou-se uma das vozes mais respeitadas do parlamento nos últimos anos do Império. Voz magnífica, bela e varonil, entusiasmava a plateia com seus discursos. Não era um orador de improviso. Preparava suas falas nos mínimos detalhes, inclusive de estilo, daí por certo as qualidades de clareza e de simplicidade. Nabuco usou esse talento para lutar pela causa abolicionista, junto com José do Patrocínio, Joaquim Serra e André Rebouças. Para ele, a escravidão era “a causa de todos os vícios políticos e fraquezas sociais; um obstáculo invencível ao seu progresso; a ruína das suas finanças, a esterilização do seu território; a inutilização para o trabalho de milhões de braços livres; a manutenção do povo em estado de absoluta e servil dependência para com os poucos proprietários de homens que repartem entre si o solo produtivo”.

Vitoriosa a causa da abolição, proclamada a República, o orador assumiu tarefas como escritor, historiador e conferencista. Entregou-se à investigação histórica, escrevendo a biografia do pai - Um estadista do Império - mas que é, na verdade, a história política do país. Gravou suas memórias em um pequeno livro - Minha formação -, um testemunho da sociedade patriarcal brasileira, em páginas de pura arte literária, com estilo e pensamento requintados.

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Rachel de Queiroz

Uma mulher inesquecível…

Menina não entra. Este era o lema da Academia Brasileira de Letras até pouco tempo atrás. Já na sua criação, em 1897, a aplaudida romancista, contista e cronista Júlia Lopes de Almeida foi deixada de fora e em seu lugar convidado o marido, Filinto de Almeida. Em 1930, a piauiense Amélia de Freitas Beviláqua era forte candidata para a cadeira nº 23, mas também foi preterida com a justificativa de que no estatuto constava que a Academia era apenas para os brasileiros, não para as brasileiras (história narrada no próprio site da ABL). Essa lógica, absurda e criticada mesmo àquela época, ainda deixou de fora escritoras como Clarice Lispector e Cecília Meireles. Somente em 1970 uma mulher tornou-se imortal, Rachel de Queiroz, e apenas em 1996 uma mulher presidiu a Academia, Nélida Piñon.

Hoje, a mulher é presença indispensável na literatura brasileira. Desta arte ela participa com a delicadeza e a magia da alma feminina. Realiza sua escrita expressando os sentimentos, as emoções, as alegrias e as dores do ser humano, de seu habitat e de seus complementos: família, terra e animais. Suas mensagens são criativas, saborosas e inteligentes; não perdem um só ângulo dos fatos que a envolvem.  Intuitivas e perspicazes no que desejam, refletem como mães, filhas, avós, amantes e amadas, o que pensam sobre o mundo, a paixão, o amor, a raiva, o ódio e o bem querer.       

Neste dia tão especial, Dia Internacional da Mulher, contarei um pouco sobre a trajetória no mundo das letras de uma mulher incrível, uma escritora incomparável: Rachel de Queiroz.

 “[...] tento, com a maior insistência, embora com tão 
precário resultado (como se tornou evidente), incorporar
a linguagem que falo e escuto no meu ambiente nativo à
língua com que ganho a vida nas folhas impressas.  Não
que o faça por novidade, apenas por necessidade.  
Meu parente José de Alencar quase um século atrás vivia
brigando por isso e fez escola.”

 Rachel de Queiroz

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Uma vida entre livros

Morre, aos 95 anos, um dos grandes incentivadores da cultura brasileira - o empresário e bibliófilo José Mindlin.

Apaixonado incondicional pelos livros, Mindlin será sempre um exemplo de dedicação ao desenvolvimento cultural do Brasil. Considerado um dos maiores colecionadores de livros do país, dedicou anos de uma vida à arte literária, lendo, colecionado e preservando manuscritos e livros raros da literatura brasileira e portuguesa.       

Mindlin reuniu ao longo de 80 anos uma biblioteca, chamada Biblioteca Brasiliana, que é considerada a mais importante coleção do gênero no Brasil formada por um particular. O conjunto de livros e manuscritos inclui cerca de 40 mil volumes, entre obras de literatura brasileira e portuguesa, relatos de viajantes, manuscritos históricos e literários (originais e provas tipográficas), periódicos, livros científicos e didáticos, iconografia (estampas e álbuns ilustrados) e livros de artistas (gravuras).

Filho de judeus nascidos em Odessa, Ucrânia, que emigraram para o Brasil, Mindlin começou a formar sua biblioteca aos 13 anos de idade. Entre as obras, colecionadas com seriedade desde a década de 1930, estão raridades como a primeira edição de “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, e a primeira edição de “O Guarani”, de José de Alencar, livro que demorou quase 20 anos para ser comprado, entre leilões e oportunidades perdidas.

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Carnaval e Literatura, uma dobradinha que dá samba

“Palavra bem escrita é música. Música, se bem composta, é poesia. E quando o poeta encontra o ritmo do samba? Dá carnaval, daqueles inesquecíveis!”

(Jornalistas Renata Vasconcellos e Renato Machado)

 

Não é de hoje que a literatura e o carnaval formam uma parceria de grande prestígio nas ruas da Marquês de Sapucaí. Escritores como Carlos Drummond de Andrade, João Ubaldo Ribeiro, Vinicius de Moraes e Manoel Bandeira já foram temas de samba enredo em belíssimos desfiles carnavalescos, comprovando que o carnaval não é só folia, mais também um dos grandes veículos de cultura.

Quem não se  lembra do samba “Sonho de um sonho”, cantado por Martinho da Vila no carnaval de 1980? Ele esteve presente na ponta da língua e dos pés de milhares de brasileiros, que, eufóricos, acompanharam das arquibancadas da Sapucaí o contagiante ritmo da bateria. O sonho sonhado da Vila homenageava na época a poesia de Carlos Drummond de Andrade, que também já foi enredo da Mangueira. Era “O reino das palavras”, no carnaval de 1987.

A literatura tem dado sorte para as escolas. “Martin Cererê”, poema de Cassiano Ricardo, empolgou o público que aplaudiu a Imperatriz Leopoldinense em 1972. O samba ficou famoso em todo o Brasil na trilha sonora da novela “Bandeira 2″. “O mundo encantado de Monteiro Lobato” deu à Mangueira o campeonato de 1967. No ano passado, três escolas de samba do Rio de Janeiro foram buscar inspiração em escritores e livros da literatura brasileira. Na Passarela do Samba, foram mostrados retratos do nosso país e do nosso povo, vistos e descritos por Guimarães Rosa, Machado de Assis, Darcy Ribeiro e João do Rio. Com Drummond, a Mangueira venceu em 1987, e, em 2009, tentou a vitória com o livro de Darcy Ribeiro sobre a formação do povo brasileiro. Africanos, índios, europeus, asiáticos - todos reunidos na Marquês de Sapucaí.

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A magia das palavras de Clarice Lispector

Para aprimorar o post anterior - um pouco mais de Clarice Lispector…

Fragmentos de infância, descoberta do mundo pelo olhar curioso, perplexo e profundo da criança-escritora Clarice Lispector.

Clandestina Felicidade

Escrever, Humildade, Técnica

Essa incapacidade de atingir, de entender, é que faz com que eu, por instinto de… de quê? procure um modo de falar que me leve mais depressa ao entendimento. Esse modo, esse “estilo” (!), já foi chamado de várias coisas, mas não do que realmente e apenas é: uma procura humilde. Nunca tive um só problema de expressão, meu problema é muito mais grave: é o de concepção. Quando falo em “humildade” refiro-me à humildade no sentido cristão (como ideal a poder ser alcançado ou não); refiro-me à humildade que vem da plena consciência de se ser realmente incapaz. E refiro-me à humildade como técnica. Virgem Maria, até eu mesma me assustei com minha falta de pudor; mas é que não é. Humildade com técnica é o seguinte: só se aproximando com humildade da coisa é que ela não escapa totalmente. Descobri este tipo de humildade, o que não deixa de ser uma forma engraçada de orgulho. Orgulho não é pecado, pelo menos não grave: orgulho é coisa infantil em que se cai como se cai em gulodice. Só que orgulho tem a enorme desvantagem de ser um erro grave, com todo o atraso que erro dá à vida, faz perder muito tempo.

Clarice Lispector (do livro “A Descoberta do Mundo”)

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Clarice Lispector

 Um fenômeno da Literatura Brasileira

Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada…Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro…”

Clarice Lispector

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Pintura de De Chirico - Enciclopédia Delta

 

Escritora brasileira, de origem ucraniana, Clarice Lispector publicou romances, contos, crônicas e livros infanto-juvenis. Destacou-se pelo intimismo de sua narrativa voltada para as tensões existenciais: volta-se para os conflitos do ser humano, aprofundando-se na tensão entre a plenitude e o vazio existenciais, entre a paixão e a racionalidade. Seu estilo é dramático, marcado por uma ironia inteligente, por frases contidas e por experiências de formas de narração inovadoras.

Essa incrível escritora nasceu em Tchelchenik, uma aldeia na Ucrânia, em 1920. A família, os pais e três meninas, desembarcaram em Maceió quando Clarice tinha apenas 2 meses de idade. Dois anos depois fixaram-se no Recife, onde a autora passou a infância e parte da adolescência.

Aos sete anos, Clarice Lispector já dava seus primeiros passos como escritora. Escrevia pequenos contos que enviava para o Diário da Tarde, com a esperança de que eles fossem publicados no suplemento infantil, o que nunca aconteceu. Aos nove perde a mãe, e sofre ao ver o pai enfrentar sérios problemas financeiros. Vê na leitura, um refúgio, e descobre Monteiro Lobato, primeiro autor a fasciná-la.

Em 1935 a família decide mudar-se para o Rio de Janeiro, onde conclui o segundo grau e começa a trabalhar como professora particular de português. Por conta disso, passa a frenquentar, quase diariamente, uma biblioteca onde alugava livros. Virou fã das obras de Hermann Heese, Dostoiésvski, Julien Green, Machado de Assis, Júlio Dinis, José de Alencar, Mário de Andrade, Graciliano Ramos.

Indecisa em relação à escolha profissional, resolve cursar Direito na Faculdade Nacional. Em seguida começa a trabalhar na Agência Nacional, como redatora. No jornalismo, conhece e se aproxima de escritores e jornalistas como Antônio Callado, Hélio Pelegrino, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Alberto Dines e Rubem Braga. Em seguida, começa a trabalhar no jornal A Noite e inicia a escrita do livro Perto do Coração Selvagem – segundo ela, um processo cercado pela angústia. Surge então, uma de suas principais características como escritora – anotar ideias a qualquer hora, em qualquer pedaço de papel.

   “Eu escrevo quando quero, eu sou uma amadora e faço questão de continuar a ser amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever, ou então em relação ao outro. Agora, eu faço questão de não ser profissional, para manter a liberdade.” (Clarice Lispector)

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