Os Sertões, a obra-prima de Euclides da Cunha
Publicado em 1902, Os Sertões é um misto de literatura, história e ciência. Com estilo rebuscado e permeado de expressões científicas - chamado pela crítica de “barroco científico” -, Euclides da Cunha retrata, em uma narrativa forte e absorvente, o confronto entre um movimento messiânico milenarista sertanejo e as Forças Armadas.
Denuncia a realidade de um massacre cometido pelos militares, que exterminaram não só Antônio Conselheiro, líder religioso de Canudos, mas também toda a sua comunidade. Além disso, testemunha com indignação a covardia de um governo que, mais uma vez, abandonou o homem nordestino.

O Corpo de Antônio Conselheiro. Foto de Flávio de Barros
Para escrever o livro, Euclides estudou a história de Portugal e a do Brasil, especialmente a colonização e o povoamento. Dedicou-se à antropologia, sociologia e psicologia social. Reuniu registros que fizera, antes mesmo de chegar a Canudos, sobre os aspectos geográficos, botânicos e zoológicos daquela região e os antecedentes sociológicos do conflito. Com base no que viu e pesquisou, transformou artigos - que, a princípio, tinham como objetivo apenas relatar a Guerrade Canudos - em uma epopeia gloriosa sobre a crueldade de uma guerra descabida que exterminou, aproximadamente, 25 mil pessoas no sertão.
O esquema utilizado pelo autor para escrever Os Sertões é nitidamente determinista. Ele divide a obra em três partes: A terra, O homem e A luta.
