Artigos marcados com ‘Euclides da Cunha’

Os Sertões, a obra-prima de Euclides da Cunha

Publicado em 1902, Os Sertões é um misto de literatura, história e ciência. Com estilo rebuscado e permeado de expressões científicas - chamado pela crítica de “barroco científico” -, Euclides da Cunha retrata, em uma narrativa forte e absorvente, o confronto entre um movimento messiânico milenarista sertanejo e as Forças Armadas.

Denuncia a realidade de um massacre cometido pelos militares, que exterminaram não só Antônio Conselheiro, líder religioso de Canudos, mas também toda a sua comunidade. Além disso, testemunha com indignação a covardia de um governo que, mais uma vez, abandonou o homem nordestino.

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O Corpo de Antônio Conselheiro. Foto de Flávio de Barros

Para escrever o livro, Euclides estudou a história de Portugal e a do Brasil, especialmente a colonização e o povoamento. Dedicou-se à antropologia, sociologia e psicologia social. Reuniu registros que fizera, antes mesmo de chegar a Canudos, sobre os aspectos geográficos, botânicos e zoológicos daquela região e os antecedentes sociológicos do conflito. Com base no que viu e pesquisou, transformou artigos - que, a princípio, tinham como objetivo apenas relatar a Guerrade Canudos - em uma epopeia gloriosa sobre a crueldade de uma guerra descabida que exterminou, aproximadamente, 25 mil pessoas no sertão.

 O esquema utilizado pelo autor para escrever Os Sertões é nitidamente determinista. Ele divide a obra em três partes: A terra, O homem e A luta.

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A trajetória de Euclides da Cunha

 Há 100 anos o Brasil perdia um dos maiores nomes de sua literatura.

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Euclides da Cunha / Fonte: Enciclopédia Delta

 Engenheiro, escritor e ensaísta brasileiro, Euclides Rodrigues da Cunha nasceu na fazenda Saudade, no arraial de Santa Rita do Rio Negro (hoje Euclidelândia), município de Cantagalo, província do Rio de Janeiro, em 20 de janeiro de 1866.

Órfão de pais desde os três anos de idade, foi educado pelas tias no estado da Bahia. Frequentou conceituados colégios fluminenses até ingressar na Escola Politécnica e, um ano depois, na Escola Militar da Praia Vermelha, local de propagação de ideias positivistas e evolucionistas.

Naquela época, Euclides já demonstrava ser idealista e audacioso. Ao tomar conhecimento de que, mesmo com boas notas, não seria promovido devido aos cortes no orçamento do governo, planejou com outros colegas um protesto para o dia da revista do ministro da Guerra na Escola Militar. Indignado com a injustiça que sofrera, Euclides não desistiu como os demais e foi o único que saiu da formação e atirou ao chão o sabre, cobrando do ministro uma resposta para a política de promoção do exército. Na ocasião, supostamente, bradou as seguintes palavras:

“Senhores! É odioso que se pretenda obrigar uma mocidade republicana e livre a prestar reverência a um lacaio da monarquia!”

Tal atitude levou-o a ser julgado pelo Conselho de Disciplina e, posteriormente, desligado do exército. Com esse episódio, ele ganhou notoriedade e deixou claro que não estaria subordinado a nenhuma hierarquia ou forma de poder que fugisse aos seus preceitos sociais e políticos. Após ter participado ativamente da propaganda republicana no jornal O Estado de São Paulo, foi reintegrado ao exército e promovido. Só desistiu da carreira militar para dedicar-se à engenharia civil.

Audacioso, incorruptível e idealista, Euclides da Cunha era um ardoroso republicano, defensor da ciência como parâmetro e guia para uma sociedade mais igualitária e inclusiva. Quando eclodiu a Guerra de Canudos, escreveu dois artigos intitulados A nossa Vendeia, uma alusão à resistência dos camponeses católicos e monarquistas contra o avanço da Revolução Francesa em 1793. Euclides tomou esse fato histórico como referência para a compreensão do fenômeno de Canudos. Influenciado pelos ideais republicanos da época, pelas ideias positivistas e evolucionistas, ele considerava que o movimento de Antônio Conselheiro tinha a pretensão de restaurar a monarquia - visão essa que mudou radicalmente após presenciar o massacre em Canudos. Ler Mais