Um bloco ao nosso lado

   Nesta semana possivelmente ocorrerá a oficialização de mais um bloco no continente americano: a Área de Integração Profunda (AIP), que congregará Chile, Colômbia, México e Peru. O presidente peruano, Alan García, está sendo fundamental nas articulações.

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   A América possui outros blocos econômicos, de relativa força no contexto global, como é o caso do NAFTA (do qual fazem parte Canadá, Estados Unidos e México), que corresponde a um acordo geral de tarifas de comércio, e o Mercosul, que funciona muito mais como uma união aduaneira. Um dos grandes problemas, na visão das nações do bloco que está se formando, consiste na grande centralização dos poderes e tomada de decisões por parte do Brasil no Mercosul, o que, de certa forma, desestimula a tentativa de adesão dos países da AIP ao bloco de que o País faz parte. Talvez por sermos o foco das discussões, não estejamos conseguindo observar essa questão de forma mais distanciada. Os próprios membros do Mercosul, como a Argentina e o Uruguai, já realizaram protestos públicos referentes a taxações de importação e mecanismos alfandegários em geral.

O Parlamento do Mercosul, em Montevidéu, capital do Uruguai. O bloco desempenha importante papel na articulação econômica do subcontinente. Autor: Vince Alongi. Licenciado por Creative Commons Atribuição 2.0 Genérica.

O Parlamento do Mercosul, em Montevidéu, capital do Uruguai. O bloco desempenha importante papel na articulação econômica do subcontinente. Autor: Vince Alongi. Licenciado por Creative Commons Atribuição 2.0 Genérica.

   Em termos quantitativos, o novo bloco apresentará indicadores econômicos semelhantes aos do Brasil. Sob aspectos práticos, o próprio presidente peruano afirma que será um contraponto ao papel geopolítico desempenhado pelo Brasil que, definitivamente, se tornou uma potência no continente.

   A princípio, o problema não é apenas a relação de competitividade que está aflorando, mas também o futuro da Comunidade Andina, pois 50% de seus membros (Colômbia e Peru) também pertenceriam à AIP. Assim, não apenas a situação de Bolívia e Equador, mas o destino de toda essa Comunidade estaria em jogo.

   O Brasil não está muito confiante no sucesso da AIP, uma vez que as eleições peruanas acontecerão em poucos meses e, na opinião da diplomacia de Brasília, a derrota de Alan García poderia congelar todas as articulações para a efetiva consolidação do bloco.

   Na realidade, o foco das discussões deveria ser uma integração efetiva de todos ou, pelo menos, da maioria dos países. A fragmentação não é boa, em especial entre nações sul-americanas, que compartilham certos valores e não possuem disputas graves a ponto de se encontrarem em conflito armado continuamente, o que, convenhamos, é algo a se valorizar muito na atualidade.

Por Leandro José Ribeiro Guimarães