Solstício de inverno — o dia mais curto do ano
No dia 21 de junho, às 8h28, tem início o inverno no Hemisfério Sul. Qual o significado exato desse momento? Como a mudança de estação afeta nossa vida? Qual é a dinâmica e como ocorrem as estações do ano? Vamos revisar alguns conceitos para entender a nova estação que acaba de chegar…
Os dois principais movimentos do planeta no espaço são a rotação e a translação. No primeiro a Terra gira em torno de seu próprio eixo, definindo os dias e as noites, e, juntamente com a curvatura do planeta, ajuda a estabelecer o sistema de fusos horários. Já no segundo movimento a Terra gira em torno do Sol em órbita plana elíptica (quase circular) com duração aproximada de 365,25 dias solares. Esse movimento, aliado ao eixo de rotação terrestre, com inclinação de 23,5º em relação ao plano da órbita, define as estações do ano.

Movimento de rotação e eixo de inclinação da Terra. Fonte: DBK Multimídia / Positivo Informática
A órbita elíptica não permite uma divisão exata no número de dias de cada estação devido à diferença de velocidade da Terra durante o percurso. À medida que se aproxima do Sol (periélio), o planeta viaja mais rapidamente do que quando se afasta do Sol (afélio).
Devido à inclinação “fixa” (existe pequena variação não considerável nesta análise) ao longo dos 365,25 dias os hemisférios Norte e Sul recebem a iluminação solar com inclinação e intensidade variáveis. No período de um ano, quatro datas marcam o início de uma nova estação. Essas datas são conhecidas como solstícios (de verão e de inverno) e equinócios (de primavera e de outono) opostos nos dois hemisférios, ou seja, quando é verão no Hemisfério Norte, é inverno no Hemisfério Sul (e vice-versa), o mesmo ocorrendo para primavera e outono.

Representação da incidência dos raios do Sol na superfície da Terra. Fonte: DBK Multimídia / Positivo Informática
Os equinócios ocorrem em dois períodos, entre 20 e 21 de março (outono no Hemisfério Sul e primavera no Hemisfério Norte) e 22 e 23 de setembro (primavera no Hemisfério Sul e outono no Hemisfério Norte), quando os raios solares estão perpendiculares ao Equador, ou seja, iluminam simetricamente os dois hemisférios, resultando em dias e noites iguais e marcando o início das estações.
Por volta do dia 21 de junho e do dia 22 de dezembro ocorrem os solstícios, momento em que os raios solares estão incidindo perpendicularmente aos trópicos de Câncer (junho - início do inverno no Hemisfério Sul e do verão no Hemisfério Norte) ou de Capricórnio (dezembro - quando inicia o verão no Hemisfério Sul e o inverno no Hemisfério Norte). No solstício de junho, quando os raios solares atingem perpendicularmente o Trópico de Câncer, ocorre o dia mais curto e a noite mais longa do ano no Hemisfério Sul e, consequentemente, o dia mais longo e a noite mais curta no Hemisfério Norte. Já no solstício de dezembro, quando os raios solares estão incidindo perpendicularmente ao Trópico de Capricórnio, acontece o dia mais longo e a noite mais curta do ano no Hemisfério Sul e o oposto no Hemisfério Norte.

Movimento de translação: esquema representando estações no Hemisfério Sul - II e IV: equinócios / I e III: solstícios - Fonte: DBK-Multimídia Positivo Informática.
Como o movimento de translação ocorre em um ciclo constante de 365,25 dias, a partir do momento em que há um solstício, por exemplo, a diferença de duração entre os dias e as noites vai diminuindo nos dias subsequentes até ocorrer um equilíbrio, ou seja, novo equinócio e assim sucessivamente.
Outras curiosidades
- Solstício e equinócio são palavras derivadas do latim. Equinócio vem de aequinoctium e significa “noite igual”, enquanto solstício deriva de solstitum e quer dizer “sol parado”.
- Para compensar o valor “quebrado” de 365,25 dias que a Terra leva para completar o movimento de translação, a cada quatro anos o calendário “ganha” um dia no mês de fevereiro: 0,25 X 4 = 1 dia. Ao ano com 366 dias dá-se o nome de bissexto.
- O eixo de inclinação terrestre provoca outra curiosidade: Durante o verão, nas latitudes superiores a 66º 33′ 39″ - Círculo Polar Ártico no Hemisfério Norte e Círculo Polar Antártico no Hemisfério Sul -, ocorre o chamado “Sol da meia-noite”, fenômeno em que o Sol não se põe por quase quatro dias (cerca de 95 horas). Isso acontece próximo ao solstício de verão e durante várias semanas as noites permanecem com iluminação parcial do Sol no horizonte. No hemisfério oposto, onde acontece o inverno, durante semanas próximas ao solstício de inverno não há iluminação solar, o que provoca noites extremamente longas e aparentemente intermináveis.

Sol da meia-noite, Antártida. Foto: Eli Duke. Licenciado pelo Creative Commons, atribuição 2.0 Genérica.

Sol da meia-noite, Lapônia - Finlândia. Foto: Rana Sinha. Licenciado pelo Creative Commons, atribuição 2.0 Genérica.
- Ao longo dos tempos, povos com as mais diferentes crenças relacionaram, e ainda relacionam, os solstícios e os equinócios a acontecimentos espirituais, religiosos, boas colheitas, cultos, festivais, etc.

Representação Inca durante a festa que comemora o solsticio de inverno, o dia mais curto do ano, Machu Picchu - Peru. Foto: Ricardo Von Staa. Positivo Informática.
Por: Claudio Lopes Takayasu