Tempo seco, baixa umidade, estiagem e queimadas… O que Geografia pode explicar?
As notícias estão em todos os meios de comunicação e os problemas podem ser sentidos por todos os sentidos (a repetição é proposital): no olfato, no tato, nos olhos, também na garganta, no coração, em todo o organismo, deixando as pessoas preocupadas e incomodadas.
A OMS (Organização Mundial de Saúde) alerta para os cuidados que as pessoas devem ter quando os índices de umidade relativa atingem níveis considerados perigosos para a saúde. De acordo com o órgão, quando os índices de umidade relativa são inferiores a 30%, caracteriza-se estado de atenção; de 20% a 12%, estado de alerta; e abaixo de 12%, estado de alerta máximo.

Estiagem - Castanheira em paisagem amazônica. Foto: Ana_Cotta. Licenciado pelo Creative Commons, atribuição 2.0 Genérica.
Nos últimos dias, a umidade relativa do ar chegou a indicadores extremamente preocupantes. Em várias cidades do Estado de São Paulo, o índice ficou entre 11% e 17%. Na terça-feira, 24 de agosto, seis das 27 estações do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) instaladas em território paulista marcavam índices abaixo de 12%, enquanto na capital federal o índice foi de apenas 7% no mesmo dia. Para se ter uma ideia, no Deserto do Saara a umidade relativa do ar oscila entre 10% e 15%.
A umidade relativa do ar
Dentro do ciclo hidrológico, a evaporação da água de lagos, mares e oceanos somada à evapotranspiração da cobertura vegetal, de solos e demais corpos que possuem água em sua composição - incluem-se aqui os seres humanos, que transpiram e respiram - transferem para a atmosfera grandes volumes de vapor d’água, que formam a umidade atmosférica.
Essa umidade pode ser relativa ou absoluta. A umidade relativa é a relação entre a umidade absoluta e o ponto de saturação, que é quantidade máxima de água que uma porção da atmosfera pode conter, medida em porcentagem. O ponto de saturação varia de acordo com a temperatura - quanto maior a temperatura, maior o ponto de saturação, ou seja, maior capacidade de conter umidade. Por sua vez, a umidade absoluta é a quantidade total de vapor d’água na atmosfera em determinado momento, medida em gramas pelo higrômetro. Também varia com a temperatura.
Assim, quando a mídia noticia que a umidade relativa do ar é de 50%, por exemplo, quer dizer que a atmosfera atingiu 50% da capacidade de retenção de vapor d’água. Para que haja precipitação, é necessário, além de chegar ao ponto de saturação, que ocorra condensação da água na atmosfera. Em dias chuvosos, a umidade relativa do ar está em 100%, ou seja, atingiu a capacidade máxima de retenção e o ponto de saturação.
Estiagem e queimadas
Os períodos em que não ocorrem precipitações ou em que os volumes de chuva são insignificantes ou muito abaixo da média são conhecidos como períodos de estiagem. Os meses de inverno são normalmente períodos mais secos, com volumes menores de precipitação. Porém, estamos sob a influência da La niña, que, de acordo com os modelos de previsão climática divulgados pelo CPTEC/INPE (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos/Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) no dia 18 de agosto, provocará chuvas abaixo da média em boa parte do Centro-Sul do País.

La Niña e a influência nos índices de pluviosidade para os próximos meses. Previsão probabilística. Fonte: CPTEC/INPE.
A menor incidência de chuvas somada aos baixos índices de umidade relativa do ar aumentam o risco de incêndios, que podem piorar ainda mais a situação, devido à poluição lançada na atmosfera durante as queimadas. Por isso, é necessária a conscientização da população, para que não acenda fogueiras, não solte balões, não queime lixo, não utilize queimadas para limpar terrenos, etc.

Prática corriqueira, queimada para ‘limpeza’ do terreno. Foto: Otávio Nogueira. Licenciado pelo Creative Commons, atribuição 2.0 Genérica.
Dicas para aliviar o desconforto
A baixa umidade relativa do ar pode provocar irritação nos olhos e até mesmo conjuntivite viral, problemas respiratórios, desidratação, desconforto no nariz e na garganta, inflamações no sistema respiratório, alterações no sistema circulatório, problemas cardiovasculares, entre outros problemas de saúde.

Poluição na cidade de Curitiba. Foto: Leonardo Boiko. Licenciado pelo Creative Commons, atribuição 2.0 Genérica.
Especialistas recomendam beber o dobro de líquido ingerido em dias normais; oferecer água várias vezes ao dia para crianças pequenas e idosos; utilizar umidificadores ou colocar vasilhas com água e pendurar toalhas molhadas nos ambientes, mantendo as janelas fechadas; evitar práticas esportivas ao ar livre, especialmente nos horários mais quentes do dia; nas principais refeições, ingerir comidas leves, frutas e saladas.
Por: Claudio Lopes Takayasu
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