Mudanças no Protocolo de Kyoto

Neste mês de dezembro ocorreu a 17ª Convenção da Organização Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Durban, na África do Sul. Algumas importantes conquistas foram alcançadas - pois, em um momento de extrema sensibilidade econômica na Europa, foi dado um sinal positivo para a criação do Fundo Verde Climático. Contudo, devemos lamentar a saída de Canadá, Japão e Rússia do Protocolo.

A Aliança do Pacífico

   Neste domingo, dia 18 de dezembro, foi ratificado o acordo da agora denominada Aliança do Pacífico, entre Peru, México, Chile e Colômbia. A formalização oficial do Marco do Tratado ocorrerá daqui a seis meses, em encontro a ser realizado em Santiago, capital do Chile.

O horário de verão e o Estado da Bahia

   A partir da 0h00min do dia 16 de outubro, começará o horário de verão em alguns estados do Brasil. Neste ano, teremos uma novidade: a Bahia passará a adotar o horário - o que não está previsto no Decreto n.o 6.558/08. Como assim?
   O horário de verão no Brasil é regulamentado por decreto presidencial. Atualmente, encontra-se em vigor o já mencionado Decreto n.o 6.558/08, que especifica os estados que devem adiantar os relógios em uma hora: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além do Distrito Federal. Ou seja, a totalidade das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
   Interessante é o fato de que, com esse decreto, podemos saber quando se iniciará e terminará o horário de verão em qualquer ano, pois ficou estabelecido que o seu período será da  zero hora do terceiro domingo do mês de outubro de cada ano até a zero hora do terceiro domingo do mês de fevereiro do ano subsequente. Quando coincidir o domingo previsto para o término da hora de verão com o domingo de Carnaval, o encerramento do horário de verão será no domingo seguinte.
   A última vez em que a Bahia adiantou os relógios em uma hora foi em 2002, com o Decreto n.o 4.399. Fica, então, a questão: por que o governo do Estado da Bahia decidiu adotar tal medida, se o decreto atual não previa sua inclusão?

O Decreto n.o 4.399/02 foi o último a incluir o Estado da Bahia no horário de verão. Por Leandro Neumann Ciuffo. CC by 2.0.

O Decreto n.o 4.399/02 foi o último a incluir o Estado da Bahia no horário de verão. Por Leandro Neumann Ciuffo. CC by 2.0.

   O principal motivo é a sincronização do horário bancário com o de grandes centros econômicos nacionais, como São Paulo e Rio de Janeiro. Sob aspectos turísticos, o setor também pressionava, pois a hora de verão permite aos turistas aproveitarem mais a luminosidade do entardecer.

   Chama a atenção a justificativa dada por Jaques Wagner, governador da Bahia,de que, por meio de estudos por ele solicitados, verificou-se que o Sol nasce mais cedo na Bahia do que em muitos outros lugares no País. Em termos astronômicos, essa afirmativa é correta, pois as horas legais são determinadas a partir de fusos horários, ou seja, mediante coordenadas longitudinais. Porém, para localidades que se encontram no mesmo fuso, mas em posições longitudinais diferentes, a que se encontrar mais a leste terá o Sol nascendo astronomicamente mais cedo - justamente por causa do sentido de rotação oeste-leste (anti-horário) de nosso planeta. A duração dos dias e noites é determinada pelas posições latitudinais. Um caso extremo que ilustra a questão corresponde ao Sol da meia-noite nas regiões polares durante o verão.

   Por meio de fórmulas, podemos calcular com precisão os horários do nascer e do pôr do sol. Para elucidar o que o governador baiano quis dizer, façamos uma comparação: Foz do Iguaçu (PR) tem coordenada de longitude 54°30′O; Salvador, por sua vez, apresenta coordenada 38°30′ O. Assim, essas cidades estão distantes em 16° longitudinais. Contudo, encontram-se no mesmo fuso, ou seja, na mesma hora. Em termos astronômicos, na sexta-feira, dia 14, os horários de nascer e de pôr do sol em Foz do Iguaçu são, respectivamente, 06h05min e 18h44min; em Salvador, por sua vez, 05h09min e 17h31min. Isso significa que o Sol nasce, aproximadamente, uma hora mais cedo em Salvador do que em Foz do Iguaçu. Observe que as cidades não apresentam a mesma duração de dias e noites. Isso ocorre em função de suas coordenadas latitudinais serem diferentes, conforme mencionado anteriormente.

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   Apesar das justificativas, contudo, a decisão do governo da Bahia não é aceita com unanimidade no Estado. Sindicatos de trabalhadores não estão satisfeitos com a decisão, pois reclamam da falta de segurança das pessoas na ida ao trabalho, uma vez que ainda estará escuro quando a maioria dos funcionários de fábricas e escritórios se dirigir às suas jornadas.
   E você, o que acha do horário de verão?

Por Leandro José Ribeiro Guimarães

O Prêmio Nobel de Economia em 2011

   Nesta segunda-feira, 10 de outubro, Thomas J. Sargent e Christopher A. Sims foram laureados com o Prêmio Nobel de Ciências Econômicas por seus estudos empíricos na relação causa-efeito na macroeconomia.
   Antes de mais nada, vale lembrar que, tecnicamente, não existe o Prêmio Nobel de Economia. Ele é intitulado Prêmio Sveriges Riksbank em Ciências Econômicas em memória de Alfred Nobel. Esse prêmio é concedido desde 1969 pela Real Academia Sueca de Ciências nos mesmos moldes adotados pelo Prêmio Nobel. O Prêmio Nobel é entregue desde 1901 às colaborações à Medicina, à Fisiologia, à Literatura, à Física, à Química e à Paz.
   A Economia é uma Ciência extremamente importante para a humanidade. Ela regula, por meio de teorias, modelos e estudos de comportamento do sistema econômico-financeiro. Por exemplo: mediante uma série de mecanismos, podem-se prever futuras situações de mercado. Nós sabemos o impacto desses levantamentos quando ouvimos falar em termos como recessão, produtividade, lucratividade e riscos nos mercados financeiros dos países.
   O prêmio concedido a Thomas J. Sargent e Christopher A. Sims não poderia ter vindo em melhor hora. Seus estudos avaliam os impactos que decisões políticas têm sobre a economia. Em um momento em que se discute a credibilidade dos Estados Unidos como pagador e reorganizador de suas dívidas e em que a Grécia vive um dos seus mais complicados momentos, causando divergências inclusive entre governantes da União Europeia sobre a melhor forma de recuperação financeira, os laureados têm muito a oferecer.
   Quando nos referimos a políticas macroeconômicas, estamos lidando com temas que surgem diariamente nos jornais, como o controle da inflação; as taxas de juros, que impactam os empréstimos e financiamentos; e as políticas que interferem em métodos produtivos, que refletirão no (PIB) Produto Interno Bruto de uma nação. Os estudos de Sargent e Sims investigam como o PIB e a inflação acabam sendo afetados por altas nas taxas de juros ou nos cortes de impostos.

Protestos como esse, em Atenas, contra as políticas macroeconômicas do governo grego, têm marcado o ano de 2011. Por Adam Witwer. CC BY 2.0.

Protestos como esse, em Atenas, contra as políticas macroeconômicas do governo grego, têm marcado o ano de 2011. Por Adam Witwer. CC BY 2.0.

   Ao lado de Sargent e Sims, temos, então, os seguintes homenageados com o Nobel em 2011: em Medicina (ou Fisiologia), Bruce A. Beutler, Jules A. Hoffmann e Ralph M. Steinman, pela contribuição para os estudos dos mecanismos de defesa do corpo humano contra vírus, fungos e bactérias; em Física, Saul Perlmutter, Brian P. Schmidt e Adam G. Riess, por sua comprovação da aceleração da expansão do Universo; em Química, Dan Shechtman, pela descoberta dos quasicristais, que apresentam grupos de átomos reunidos sempre de forma diferente, no que diz respeito à organização dos cristais; em Literatura, Tomas Tranströmer, que, nas palavras do comitê do Nobel, “através de suas imagens condensadas e translúcidas, nos oferece um novo acesso à realidade”; na Paz, Ellen Johnson Sirleaf (presidente da Libéria), Leymah Gbowee (militante liberiana) e Tawakkul Karman (jornalista iemenita), pela colaboração na luta não violenta pelos direitos das mulheres.

   Confira, em inglês, o anúncio dos premiados em Ciências Econômicas:

Por Leandro José Ribeiro Guimarães

Um rio sob o Rio Amazonas?

   Imagine você, leitor, que, possivelmente, um dos maiores rios do Brasil nunca será visto! Como assim?

   Cientistas do Observatório Nacional estavam realizando uma série de levantamentos na região do Rio Amazonas, aproveitando centenas de perfurações existentes, realizadas pela Petrobras há mais de 30 anos e que visavam verificar a existência de petróleo na região. Contudo, outro líquido foi encontrado. Trata-se, provavelmente, de um rio subterrâneo, cujo volume de água é superior ao do Rio São Francisco.

   De onde vem essa água? São duas as fontes principais: da absorção das águas dos próprios rios da Bacia do Amazonas e da água das chuvas - que é absorvida pelo solo e pelo estrato rochoso subsuperficial.

O Amazonas impressiona pela sua imponência e a de seus tributários, como pode ser observado nessa foto de satélite captada em um belo pôr do sol. No canto inferior esquerdo, pode-se ver uma fumarola, decorrente de queimadas florestais. Por M. Justin Wilkinson. Cortesia: NASA-JSC.

O Amazonas impressiona pela sua imponência e a de seus tributários, como pode ser observado nessa foto de satélite captada em um belo pôr do sol. No canto inferior esquerdo, pode-se ver fumaça, decorrente de queimadas florestais. Por M. Justin Wilkinson. Cortesia: NASA-JSC.

   Então, que tal acompanharmos algumas curiosidades sobre o Hamza (como foi chamado, em homenagem a um dos pesquisadores que colaborou para sua descoberta, Valiya Hamza)? Ele segue o mesmo percurso do Amazonas, porém está a uma profundidade de 4 mil metros. Possui aproximadamente 6 mil quilômetros de extensão. É largo, pois ocupa praticamente toda a bacia sedimentar do Amazonas, variando entre 200 e 400 km, ao passo que o Rio Amazonas apresenta uma largura de 1 a 100 km.

   Curiosa é a relação entre a velocidade e a vazão do Hamza. A velocidade das águas varia de 10 a 100 metros/ano (compare com o Amazonas, cuja velocidade se encontra entre 0,1 e 2 metros/segundo!). Baixa velocidade, mas comparável à de rios como o Rio do Sono, no Tocantins. Sua vazão é também significativamente menor do que a do Amazonas: enquanto este apresenta valores superiores a 130.000 m³/s, o Hamza possui aproximadamente 3.000 m³/s. Pouco em termos comparativos, mas maior do que a vazão do Rio São Francisco, por exemplo.

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   Contudo, nem tudo está perfeitamente esclarecido: seria o Hamza um rio de fato? Alguns cientistas têm considerado prematuro classificá-lo como um rio subterrâneo. Em especial, por apresentar velocidades muito baixas quando comparadas às de boa parte dos rios convencionais. Valiya Hamza, por sua vez, considera que o fluxo de vazão por si só já o configuraria como um rio.

   O Hamza soma-se a outras grandiosidades da região, que possui o maior rio do mundo (Amazonas) e, possivelmente, o maior aquífero em volume de água do mundo (Alter do Chão - veja na ilustração a seguir).

Localização aproximada do Aquífero Alter do Chão. Fonte: Faculdade de Geologia / Instituto de Geociências da Universidade Federal do Pará.

Localização aproximada do Aquífero Alter do Chão. Fonte: Faculdade de Geologia / Instituto de Geociências da Universidade Federal do Pará.

   Polêmicas à parte, o estudo consolida cada vez mais o grande potencial hidráulico da Amazônia, além de reforçar o alerta para o importante papel da preservação e da fiscalização ambiental dessa região que apresenta o principal recurso à nossa sobrevivência.

 

Por Leandro José Ribeiro Guimarães

Imagens revelam indícios de água líquida em Marte

A agência espacial estadunidense registrou uma sequência de imagens de uma cratera na superfície de Marte do que parecem ser indícios de água em estado líquido. Estudos anteriores já haviam apontado para a presença do elemento no planeta, porém congelado, devido às baixas temperaturas, que variam de 20°C a  -140°C. Segundo o diretor da Nasa, Charles Bolden, as pesquisas têm como objetivo determinar se o planeta vermelho poderia abrigar vida de alguma forma.

A cratera da qual foram obtidas as imagens com indícios de água no estado líquido está localizada a 41° de latitude Sul, uma região bastante iluminada no verão marciano. Crédito: Nasa/JPL-Caltech/Univ. do Arizona.

A cratera da qual foram obtidas as imagens com indícios de água no estado líquido está localizada a 41° de latitude Sul, uma região bastante iluminada no verão marciano. Crédito: Nasa/JPL-Caltech/Univ. do Arizona.

As imagens orbitais, combinadas com modelos tridimensionais, obtidas em diferentes períodos do ano marciano — cuja duração é de 687 dias —, mostram formas de relevo com drenagens semelhantes às encontradas na superfície da Terra. Manchas escuras, que aparentemente correspondem a fluxos de água, intensificam-se nos períodos do ano de maior temperatura, correspondentes à primavera e ao verão de Marte, enquanto no outono e no inverno as manchas praticamente estão ausentes. Ou seja, nos períodos de maior temperatura, a água passaria do estado sólido para o líquido, provocando processos erosivos sobre as rochas que compõem a superfície do planeta.

A imagem destaca uma encosta íngreme da cratera, repleta do que parecem ser linhas de drenagens em forma de ravinas. Crédito: Nasa/JPL-Caltech/Univ. do Arizona.

A imagem destaca uma encosta íngreme da cratera, repleta do que parecem ser linhas de drenagens em forma de ravinas. Crédito: Nasa/JPL-Caltech/Univ. do Arizona.

Os pesquisadores, que publicaram o estudo sobre o caso na revista Science, acreditam que a água presente na superfície de Marte contenha uma grande quantidade de sal, o que diminui seu ponto de congelamento, justificando a água no estado líquido em condições de baixa temperatura.
Apesar dos indícios, a Nasa não afirma que a descoberta seja, realmente, água. Porém, a pesquisa consiste em um grande avanço em relação aos estudos sobre o planeta vermelho e, segundo a agência, ajudará a planejar futuras missões em sua superfície, como a do robô Curiosity, que será enviado à superfície marciana para coletar informações sobre o planeta.

Por Dorival dos Santos

O Índice Big Mac

   A cadeia estadunidense de alimentação McDonalds constitui uma empresa transnacional que opera em diversos países ao longo do Planeta. Suas políticas corporativas estão fortemente vinculadas à adoção de processos produtivos e distributivos dos alimentos fabricados mundialmente de forma muito homogênea. Com base em diversos estudos, foi desenvolvido, na década de 1980, o Índice Big Mac, calculado pela prestigiosa revista The Economist.
   Contudo, esse indicador não foi feito para revelar se o preço do sanduíche está barato ou caro, mas sim para que se entendam os processos de valorização e desvalorização das moedas no mundo, utilizando o dólar como referência. Como os ingredientes são muito semelhantes, bem como toda a cadeia de produção e circulação, conforme foi dito anteriormente, as diferenças de preço estão associadas à sobrevalorização ou subvalorização das moedas. O Índice Big Mac leva em consideração o PPC (Paridade do Poder de Compra) das populações, ou seja, o poder aquisitivo da população de determinado país, ajustado pela realidade socioeconômica de sua nação.
   O resultado dos dados de 2011 - reformulados em relação às metodologias anteriores - pode nos induzir ao erro. Veja só: o Big Mac na China é 44% mais barato do que nos Estados Unidos. Assim, o iuane (moeda da China) estaria 44% subvalorizado em relação ao dólar. Era assim que o índice era calculado anteriormente. Porém, sabemos que em diversos países em desenvolvimento, devido aos custos das matérias-primas e da mão de obra e ao poder aquisitivo da população, o valor do lanche realmente deveria ser mais barato. Assim, essa correção é feita, atualmente, utilizando na equação o PIB per capita. Esse indicador representa quanto foi produzido em um país, em dólar, ao longo do ano, dividido pelo total de habitantes. Dessa forma, sabemos quanto cada habitante “gerou”, em média, de renda para seu país.

Valor médio do Big Mac, em Dólar

Valor médio do Big Mac, em Dólar

   Portanto, o cálculo do ajuste do valor do Big Mac na nação considerada em relação ao seu PIB per capita nos dá uma noção da valorização das moedas. Converte-se o preço do lanche na moeda de origem para o dólar e relaciona-se o resultado com o PIB per capita do país, também convertido em dólar. Valores muito altos significam que, nessa equação, a moeda local pode estar supervalorizada - ou subvalorizada.

Sub e sobrevalorização das moedas em relação ao Dólar

Sub e sobrevalorização das moedas em relação ao Dólar

   Complicado, não é? Bem, deixemos essas contas para os economistas. O importante para nós, agora, são os resultados. Os dados de 2011 apontam que o real é a moeda mais valorizada no mundo. O euro, por sua vez, está bem abaixo do valor que deveria ter (para a alegria dos turistas brasileiros que desejam viajar para algumas nações da Europa neste ano), e o iuane chinês está dentro do que se esperava. Algumas pessoas associam esses números às condições reais das economias, afirmando que valores muito acima ou abaixo podem ser resultado de euforias ou preocupações excessivas do mercado internacional. Que tal também pensarmos que pode ser a atual situação econômica do país? É só observar a crise europeia e os elevados investimentos externos que o Brasil tem recebido para, talvez, podermos encontrar algumas respostas para essa equação.

Por Leandro José Ribeiro Guimarãe

Venezuela possui as maiores reservas de petróleo cru do mundo

De acordo com o relatório anual apresentado no segundo semestre de 2011 pela Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), a Venezuela passou a deter as maiores reservas confirmadas de petróleo cru do mundo, ultrapassando a  Arábia Saudita.

Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez, atual presidente da Venezuela, durante assinatura de acordos nas áreas energética, industrial, agrícola, tecnológica, ambiental e de educação Por: Marcello Casal Jr./ABr

Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez, atual presidente da Venezuela, durante assinatura de acordos nas áreas energética, industrial, agrícola, tecnológica, ambiental e de educação. Os recentes anúncios da liderança da Venezuela em relação às reservas de petróleo mundiais, e as novas descobertas no pré-sal brasileiro podem resultar em uma nova Geografia da economia do petróleo. Por: Marcello Casal Jr./ABr

O documento registra que as reservas confirmadas da Venezuela chegaram a 296,5 bilhões de barris em 2010, o que representa um crescimento de 40,4% em relação a 2009. Já a Arábia Saudita, conforme aponta o relatório, tem reservas confirmadas de 264,5 bilhões de barris. Segundo a Opep, o Brasil ocupa a 14.ª posição em relação às maiores reservas provadas de petróleo, com 12,9 bilhões de barris.

O P E P. Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Boletim Estatístico Anual 2010/2011.

OPEP. Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Boletim Estatístico Anual 2010/2011.

Apesar de possuir as maiores reservas, a Venezuela produz apenas 2,8 milhões de barris diários, o que, segundo o relatório, a coloca na sexta posição, atrás da Rússia, da Arábia Saudita, dos Estados Unidos, da China e do Irã. O governo venezuelano afirmou manter o volume de extração de petróleo no país, decisão que reflete as políticas de regulação da oferta do produto praticadas pela Opep.

O P E P. Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Boletim Estatístico Anual 2010/2011.

OPEP. Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Boletim Estatístico Anual 2010/2011.

A Opep

A Opep foi criada em 14 de setembro de 1960 com o objetivo de fortalecer os países produtores de petróleo diante das negociações com os grandes compradores do produto, como os Estados Unidos e a então União Europeia. Nesse sentido, a organização passou a regular a produção, a fim de definir os preços do petróleo em nível mundial. Atualmente, consta de 12 países membros: Angola, Arábia Saudita, Argélia, Emirados Árabes Unidos, Equador, Irã, Iraque, Kuwait, Líbia, Nigéria, Catar e Venezuela.

Referência
OPEP. Organização dos Países Exportadores de Petróleo.

O polo magnético e o Brasil

   Você sabia que o Polo Norte magnético e o geográfico não significam a mesma coisa? O polo geográfico corresponde a uma delimitação cartográfica, ao passo que o magnético está associado ao campo magnético da Terra. Eles diferem sensivelmente, o que significa que você, ao utilizar uma bússola tradicional, daquelas como as que fazemos nas aulas de Geografia com uma agulha imantada, verá que ela aponta para o Polo Norte magnético, e não para o Polo Norte geográfico.

   Além de deslocar-se ao longo do Ártico, na região do Canadá, nosso polo magnético tem-se enfraquecido. Desde o século XIX, ele já perdeu 10% de sua intensidade original. Isso faz parte de períodos de oscilação do campo, portanto não precisamos pensar que tal ocorrência seja o sinal do fim dos tempos! Hoje, a cidade mais próxima do polo magnético se chama Resolute Bay, de apenas 300 habitantes.

Aeroporto de Resolute Bay, Canadá. Foto: Northern Pix. Licenciado por Creative Commons Atribuição 2.0 Genérica.

Aeroporto de Resolute Bay, Canadá. Foto: Northern Pix. Licenciado por Creative Commons Atribuição 2.0 Genérica.

   Interessante artigo de Carlos Fioravanti, intitulado A história magnética do Brasil, da Revista Fapesp deste mês, aponta curiosos levantamentos sobre o campo magnético da Terra e do Brasil. O campo magnético é gerado pelo movimento do ferro líquido no interior do Planeta. Existe uma região do globo que apresenta esse campo com menor intensidade, conhecida como Anomalia Magnética do Atlântico Sul. Ocorre que essa região está se deslocando e sua extensão está aumentando. Ela se localizava ao sul da África, mas hoje cobre parte do sul da América do Sul e quase todo o Atlântico Sul. No Brasil, a influência da anomalia é maior na Região Sudeste do que na Nordeste. Essa anomalia representa uma área em que a blindagem do campo magnético contra raios cósmicos e partículas solares é mais frágil. Quais as consequências dessas variações então? Uma delas é que satélites passam a sofrer interferência nos sinais, por exemplo. Tais regiões facilitam a entrada de raios cósmicos, que poderiam propiciar a formação de nuvens, fazer chover mais e baixar a temperatura.

   O geofísico Gelvam Hartmann registrou, a partir de lascas de tijolos de igrejas coloniais do Pelourinho, em Salvador - com posterior verificação de datas das construções o levantamento da densidade do fluxo do campo magnético -, que o próprio campo magnético do Brasil também está reduzindo sua intensidade. O mais interessante nesse estudo é que, com base em estimativas e alguns cálculos derivados, conseguiu datar algumas construções a partir da medida da densidade do fluxo do campo magnético. Isso acontece porque cerâmicas, tijolos, telhas ou quaisquer materiais que passem por um aquecimento intenso podem guardar o registro do campo magnético da Terra no momento de seu cozimento.

A datação pela densidade do fluxo do campo magnético tem auxiliado na datação de construções do Pelourinho. Foto: Rafael Martins/AGECOM. Licenciado por Creative Commons Atribuição 2.0 Genérica.

A datação pela densidade do fluxo do campo magnético tem auxiliado na datação de construções do Pelourinho. Foto: Rafael Martins/AGECOM. Licenciado por Creative Commons Atribuição 2.0 Genérica.

   Assim, verificou-se que a residência do famoso poeta Gregório de Mattos foi construída em 1830, e não no fim do século XVII, como muitos pensavam. Esse estudo tem um caráter geográfico, físico e histórico, pois foi possível definir a data de construção (entre 1675 e 1725) de uma casa do Pelourinho, a de número 27, da qual os arqueólogos não tinham informações nem documentação. Vale lembrar que essa técnica não é a salvação por completo dos desafios das datações, pois por meio dela não é possível datar pinturas rupestres e muito menos panelas de barro, que perderam o campo magnético original por terem ido muitas vezes ao fogo. O caso das residências de bandeirantes paulistas também é complicado, pois elas foram feitas de barro amassado e prensado.

   Mas a grande questão em todas essas situações é a própria complexidade do campo magnético, como a inversão dos próprios polos desse campo e outros fatores que até mesmo Albert Einstein já alertava, em relação à necessidade de aprendermos mais sobre o assunto.

 Por Leandro José Ribeiro Guimarães

Alemanha anuncia fechamento de usinas nucleares no país, porém subsidiará o Programa Nuclear Brasileiro

Enquanto muitos países do globo repensam seus programas nucleares — após o acidente ocorrido na Usina Nuclear de Fukushima, no Japão —, o Brasil se mostra apático às mudanças e decidido a manter seus projetos nucleares.
Países com grande experiência na utilização de energia nuclear, como Alemanha,  Suíça, Israel e Itália, por exemplo, anunciaram que irão rever seus programas nucleares. A Alemanha, em especial, divulgou, em maio de 2011, um acordo para o fechamento de todas as suas usinas nucleares até 2022. Porém, o governo alemão pretende manter o financiamento indireto ao programa nuclear brasileiro por meio do subsídio à empresa francesa Areva, que fornecerá equipamentos para a Angra 3 e prestará serviços à Eletronuclear. Segundo a ONG Urgewald, o investimento alemão é de cerca de R$ 2,9 bilhões.

Angra 1, localizada na CNAAA (Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto), na cidade de Angra dos Reis, no litoral do Estado do Rio de Janeiro. A Usina de Angra 3 está sendo construída na CNAAA. Crédito: Cássia Dias Teixeira Santos.

Angra 1, localizada na CNAAA (Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto), na cidade de Angra dos Reis, no litoral do Estado do Rio de Janeiro. A Usina de Angra 3 está sendo construída na CNAAA. Crédito: Cássia Dias Teixeira Santos.

A discussão mundial em relação à utilização de fontes de energia limpas e seguras parece não agradar os governantes brasileiros, que, mais do que nunca, passaram a investir maciçamente na extração de petróleo – movidos pela febre do pré-sal – e na utilização de fontes alternativas, como a nuclear. Talvez isso se deva à falta de vontade política de nossos governantes, ao interesse econômico das corporações que financiam suas candidaturas e/ou ao pouco conhecimento geográfico sobre o território brasileiro. 
O Brasil é um dos países com maior potencial para o desenvolvimento de energias alternativas, limpas e seguras. Por estar localizado predominantemente na Zona Intertropical — de maior insolação do globo —, a energia solar pode ser utilizada em larga escala. Os bons ventos que sopram constantemente no Nordeste e no extremo Sul do País propiciam a exploração da energia eólica.

Parque eólico de Osório — RS. Energia limpa e segura. Crédito: Eduardo Fonseca. Licenciado pelo Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica.

Parque eólico de Osório — RS. Energia limpa e segura. Crédito: Eduardo Fonseca. Licenciado pelo Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica.

Os mais de 7 mil quilômetros de litoral são propícios à instalação de usinas maremotrizes, que aproveitam a força das marés. Sem contar que o território nacional contém a maior rede hidrográfica do mundo, com capacidade incalculável para geração de energia elétrica.
Segundo a Eletrobras, cerca de 2% da energia elétrica do Brasil é produzida em Angra 1 e Angra 2. Será que os riscos que essas instalações apresentam para a sociedade e para o ambiente valem a pena por tão pouca produção?
Fica, portanto, a dúvida. Quais serão os verdadeiros interesses do Brasil em relação ao desenvolvimento da energia nuclear?

O Programa Nuclear Brasileiro

- 1956 – Teve início o Programa Nuclear Brasileiro, com a criação da CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear), responsável pela sua elaboração.
- 1972 – Iniciaram-se as obras da usina de Angra 1, localizada na CNAAA (Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto), na cidade de Angra dos Reis, no litoral do Estado do Rio de Janeiro.
- 1975 – O Brasil recebe cooperação da Alemanha para o desenvolvimento e a utilização da energia nuclear.
- 1982 – O reator de Angra 1 entra em funcionamento com sua primeira reação em cadeia.
- 1983 – Iniciam-se as obras de Angra 2.
- 1984 – Iniciam-se as obras de Angra 3, paralisadas dois anos depois.
- 1985 – Angra 1 começa a funcionar comercialmente, após 13 anos do início das obras.
- 1997 – O  governo cria a estatal Eletronuclear para gerenciar suas unidades.
- 2001 – Passa a funcionar comercialmente a Usina de Angra 2, após 18 anos do início das obras.
- 2010 – São retomadas as obras de Angra 3, terceira usina prevista para na CNAAA.
- 2015 – Previsão para o término da construção da Usina de Angra 3.
- 2030 – Previsão do término de mais quatro usinas, duas no Nordeste e duas no Sudeste do País.

Por Dorival dos Santos.