Formação continuada e tecnologia educacional — uma parceria que vale a pena

Fabiane Picheth

Pensar sobre a formação continuada de professores no atual contexto sociopolítico leva a reflexões quanto ao real papel da educação e os benefícios que ela pode proporcionar frente ao ágil desenvolvimento tecnológico que a sociedade contemporânea vem apresentando. O momento se caracteriza pela discussão do que é relevante trabalhar e quais são os conceitos que necessitam ser explorados com maior atenção, ou seja, até que ponto a informação vinda das diversas mídias tem proporcionado aos sujeitos a reflexão necessária.

Sem dúvida, pensar em educação é refletir sobre os sujeitos que nela estão envolvidos, ou seja, sobre o processo de ensino-aprendizagem, seja qual for sua modalidade (presencial, semipresencial ou a distância), designa, acima de tudo, o perfil de quem atua nele.

Assim, a educação assume o caráter de formação como princípio de qualidade em sua prática pedagógica, aspecto que é assegurado pela LDB (Lei de Diretrizes e Bases 9394/96) que aponta, no título VI — Dos Profissionais da Educação, no artigo 63, a necessidade de programas de educação continuada aos profissionais dos diversos níveis de ensino.

Um dos fatores que mais ressalva a necessidade de programas de formação permanente no atual cenário educativo é a inserção das TICs (Tecnologias da Informação e da Comunicação), que podem agregar grande auxílio metodológico ao processo de fluxo de informações, de comunicação e construção de conhecimento em uma perspectiva veloz e contínua na relação entre docentes e discentes. Por meio de uma compreensão mais ampla do processo formativo, podemos diminuir a distância entre a tecnologia e o processo de ensino-aprendizagem.

Para tanto, não basta ter laboratórios de informática bem equipados, mas, sim, oferecer o preparo adequado, com pressupostos técnicos, além de uma vasta bagagem pedagógica que auxilie os educadores a relacionarem as TICs ao processo de planejamento de suas aulas, permitindo, assim, um foco interdisciplinar contínuo.

Nessa perspectiva, o professor passa a atuar enquanto pesquisador, estando aberto a desafios voltados a uma ação pedagógica significativa, como mostra Perrenoud em suas dez competências, apontando ao professor envolvimento e um preparo amplo.

As dez competências são de suma importância, mas a oitava e a décima, que determinam a utilização de novas tecnologias e a administração de sua própria formação, caracterizam-se como o grande propósito para se alcançar a qualidade metodológica que os princípios de comunicação, autonomia, coletividade e, principalmente, intencionalidade pretendem atingir.

O conceito de aprendizagem passa a se acumular pela vida toda, não se limitando ao período escolar formal, mas exigindo uma mudança de atitude no sentido de autoproporcionar o que os pilares da Unesco estabelecem quanto à educação: aprender a conhecer, a fazer, a viver junto e a ser.
A perspectiva da aprendizagem contínua une-se à passagem da informação para o conhecimento e deste para a sabedoria.

A partir do momento em que houver a promoção do profissional de educação por meio da aproximação da tecnologia digital em uma perspectiva de transformação, o perfil dele será o de um verdadeiro intelectual.

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